Ato contra o fascismo e a favor de Lula mobiliza partidos da esquerda

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Publicado terça-feira, 3 de abril de 2018 as 15:42, por: CdB

Lula ressaltou que o período em que vivemos tem resultado na perda de direitos constitucionais, o que coloca o futuro do país em risco.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Líderes partidários da esquerda brasileira e de movimentos sociais reuniram-se, na noite desta segunda-feira em um ato suprapartidário no Circo Voador, Lapa, Centro da Cidade. Os oradores protestaram também contra o assassinato político de Marielle Franco. Nos Arcos da Lapa, do lado de fora do teatro, milhares de pessoas se reuniram para acompanhar o ato público.

Lula (C) fez uma foto histórica, cercado por líderes da esquerda brasileira
Lula (C) fez uma foto histórica, cercado por líderes da esquerda brasileira

Ao lado de líderes do PSOL, PCdoB, PCB, PDT, PSB e PCO, Lula ressaltou que a unidade deve fortalecer a luta.

— A democracia só vai se consolidar quando aprendermos a conviver na adversidade. Isso não é uma seita. É aprender a respeitar a liberdade do outro. Não pensem que a luta é fácil. E não tem problema que a gente perca uma, mas não podemos perder a disposição de lutar — afirmou o líder petista.

Lula ressaltou que o período em que vivemos tem resultado na perda de direitos constitucionais, o que coloca o futuro do país em risco.

— A democracia pra mim não é uma coisa pequena. Não é só dizer que eu tenho o “direito de ir e voltar — acrescentou.

Líder do PSOL

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) apontou que a escalada das agressões contra a esquerda acendem um sinal de alerta e que é preciso fortalecer a resistência contra o fascismo.

— Nós não seremos vencidos nem pelo medo, nem pelo ódio. A morte da Marielle ultrapassou qualquer fronteira. Os tiros contra a caravana ultrapassaram qualquer fronteira. Tem uma fronteira decisiva nessa história que separa a barbárie da democracia e a barbárie tem que ser acuada — afirmou.

Lula democrática

Pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela d’Ávila ressaltou, por sua vez, o direito de Lula à um julgamento justo e de disputar as eleições.

— Aquilo que nos une é a luta pela liberdade. E nós também temos uma missão de dizer que a luta democrática pela liberdade passa pela liberdade de Lula concorrer — declarou Manuela.

Armação histórica

Outro orador inscrito, o psolista Valerio Arcary foi muito aplaudido.

— Aqui estamos começando a erguer os tijolos de uma muralha na luta contra o fascismo. Somos todos camaradas, aprendemos duramente que construir a Frente Única não significa ter adesão de um partido sobre outro. Não podemos mais ter medo das nossas diferenças — afirmou.

Para a filósofa e escritora, recém-filiada ao PT, Marcia Tiburi também usou da palavra:

— Estamos vivendo um delírio que é fruto de uma armação histórica que é fruto do neo liberalismo.

Dissidência

Nem todos os integrantes da esquerda, no entanto, aplaudiram a realização do ato. Para o candidato a senador pela legenda do PSOL, nas últimas eleições, Milton Temer, foi “tudo bem, tudo legal com a exceção de sempre”.

“Mas chega. A partir de agora, ato unitário tem que ser produção unitária e não apenas do maior partido da Frente. Unidade é fundamental no combate à crescente onda de normalização da violência e afirmação de contra-valores que a direita fascista vem promovendo. Mas é fundamental que o respeito às diferenças se registre em todos os itens”, escreveu em uma rede social.

Alma lavada

“Isso não ocorreu (na véspera). E não fora pela forma desabrida e corajosa com que Valério, Mônica, Tarcisio e Freixo se manifestaram, a lembrança de Marielle teria se transformado num acessório a mais do Lula-lá de campanha eleitoral”.

Chegou a criticar o deputado Marcelo Freixo (PSOL- RJ). Temer disse que ele “recoloca a dignidade partidária. Brilhante. Veemente. Incisivo. Faz esquecer a derrapada político- ideológica anterior de alguém que parece se lamentar ser deputado do PSOL”.

“Luta que Segue!! com a alma lavada”, concluiu.