Auditor do TCU vai à CPI da Covid e desmente o mandatário sobre os números da pandemia

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado terça-feira, 17 de agosto de 2021 as 14:53, por: CdB

O auditor do TCU disse à CPI da Covid que em nenhum momento apresentou um estudo que concluía a superestimação dos dados de mortes pelo vírus. O objetivo do documento, porém, era abrir um “debate preliminar” para provocar a discussão dentro do órgão.

Por Redação – de Brasília

O auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques afirmou, durante depoimento na CPI da Covid, nesta terça-feira, que um “estudo paralelo” de supernotificação de mortes por covid-19 foi editado após o presidente Jair Bolsonaro ter posse do documento.

cpi da covid
Integrantes da CPI da Covid se preparavam para ouvir o auditor do TCU Alexandre Marques

O auditor do TCU disse à CPI da Covid que em nenhum momento apresentou um estudo que concluía a superestimação dos dados de mortes pelo vírus. O objetivo do documento, porém, era abrir um “debate preliminar” para provocar a discussão dentro do órgão.

Em seu relato na CPI da Covid, o auditor do TCU disse que enviou o documento em formato “Word” e aberto para edição ao seu pai, o coronel da reserva Ricardo Silva Marques. Entretanto, sem seu conhecimento, o arquivo foi transmitido ao presidente Jair Bolsonaro e consequentemente editado.

— A falsificação foi constatada após chegar ao presidente. Eu recebi uma versão já em ‘PDF’ (sem a possibilidade de edição) desse arquivo, com o TCU mencionado no cabeçalho. Meu pai recebeu o arquivo em ‘Word’ e mandou para o presidente. Foi usado indevidamente — afirmou Alexandre à CPI.

Relatório

Em junho deste ano, ao conversar com apoiadores, Bolsonaro disse que teve acesso a um relatório oficial do TCU que concluía que a maior parte das mortes apontadas como decorrência da pandemia seriam na verdade em virtude de outras doenças.

De acordo com o auditor do TCU, as informações foram extraídas do portal de transparência do registro civil. Na oitiva, reiterou que Bolsonaro foi irresponsável ao divulgar um estudo falso.

— Foi atribuído ao TCU um documento que não era oficial do órgão — disse ele, que não soube responder quem era o responsável pela edição.

Alexandre Marques é filho do coronel da reserva Ricardo Silva Marques, que foi colega de turma de Jair Bolsonaro, no Exército. No início da sessão, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), confirmou que a acareação entre o atual ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, e o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) foi cancelada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

code