Aumenta o desgaste de Bolsonaro junto às Forças Armadas

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Publicado segunda-feira, 10 de agosto de 2020 as 15:47, por: CdB

O general Carlos Alberto Santos Cruz, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo, é uma das vozes mais reconhecidas dentre os oficiais que discordam da maneira como Bolsonaro conduz a questão de saúde. Ele fez o mais duro ataque de um militar ao presidente da República em uma mensagem a pretexto do Dia dos Pais, na véspera.

Por Redação – de São Paulo
O general Santos Cruz tem externado o desconforto entre o alto oficialato e parcela do governo Bolsonaro
O general Santos Cruz tem externado o desconforto entre o alto oficialato e parcela do governo Bolsonaro

Embora as negociações com o chamado ‘Centrão’ — grupo parlamentar ligado à direita e sempre pronto a defender o governo, desde que contemplado com cargos e benesses federais — sigam adiante, com o beneplácito do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, o apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem se reduzido, dia após dia, aos setores mais radicais da sociedade. Principalmente entre os segmentos ligados à Segurança Pública e, mesmo assim, é visível a divisão neste segmento da sociedade.

Ainda que parte relevante dos policiais brasileiros defenda publicamente, nas redes sociais, o desejo de uma intervenção armada nos demais Poderes da República, conforme recém-divulgada pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FSBP), a parcela majoritária e decisiva das forças de segurança ainda resiste à tentação de editar um novo golpe de Estado, no país.

Coronavírus

Cerca de 15 mil policiais, de um total de 141.717 profissionais pesquisados no estudo do FSBP, tecem comentários como “Gilmar Mendes é um vagabundo. Bolsonaro tá certo sim se quiser mandar tropas pra fechar o STF”. Ou, ainda: “(Rodrigo) Maia é um bandido!!! Esse Congresso Nacional tem que fechar as portas, só tem rato!!!”.

Os mais de 141 mil agentes encontrados são resultado da localização de perfis de policiais no Facebook, que levou em conta os quase 886 mil agentes da ativa ou aposentados no país, de acordo com os portais de transparência dos Estados e da União, diz a pesquisa.

Longe de ser maioria, embora tenham poder para influir nas decisões do mandatário neofascista, os seus seguidores encontram uma barreira mais eficaz nas próprias Forças Armadas. A maneira como o governo tem lidado com a pandemia do novo coronavírus, que já levou mais de 100 mil vidas em apenas quatro meses, causa repulsa em um grupo de oficiais das três Forças.

Cúpula militar

O general Carlos Alberto Santos Cruz, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo, é uma das vozes mais reconhecidas dentre os oficiais que discordam da maneira como Bolsonaro conduz a questão de saúde. Ele fez o mais duro ataque de um militar ao presidente da República em uma mensagem a pretexto do Dia dos Pais, na véspera. Foi a mais dura crítica de um militar a Jair Bolsonaro, com foco no combate ao novo coronavírus.

“Triste dia dos pais . O Brasil chora mais de 100 mil mortos. Quantos órfãos, quantas famílias mutiladas? A dor maior é saber que parte dessas perdas poderia ter sido evitada se houvesse liderança para a união de todos pela vida dos brasileiros. Até quando?”, lamentou o ex-ministro de Bolsonaro, ressaltando a incapacidade do governo no combate ao vírus.

A mensagem do militar deixa evidente a divisão na cúpula militar. Desde que saiu do governo, Cruz tem representado um setor que discorda das intenções golpistas já demonstradas por Bolsonaro, em contraponto aos militares que não apenas participam da gestão federal, mas também são personagens da proposta de uma nova aventura no campo político.

Distância

Segundo a revista de centro-direita Piauí, no dia 22 de maio, Bolsonaro teria comunicado a ministros militares que iria enviar tropas para fechar o STF, depois que o ministro Celso de Mello pediu um parecer à PGR sobre a apreensão de seu celular e do filho Carlos Bolsonaro.

A reportagem destaca, ainda, que a ideia de intervir no STF foi feita durante uma reunião com os ministros militares Walter Braga Neto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional). A decisão teria sido bem recebida por Luiz Ramos, mas Braga Netto e o general Heleno teriam argumentado o contrário. “Não é momento para isso”, teria dito o ministro do GSI.

— Ter militares no governo não pode ser confundido com ter o apoio institucional das Forças Armadas. Essa falta de entendimento gera incômodo e há uma preocupação em manter uma distância fitossanitária do governo — resumiu o general da reserva Sérgio Etchegoyen, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo do presidente de facto Michel Temer, em recente conversa com jornalistas.

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