Aumenta tensão entre Bolsonaro e Rede Globo, que apura suposta facada pré-eleitoral

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado sábado, 26 de janeiro de 2019 as 18:13, por: CdB

Bolsonaro tem evitado falar aos repórteres da Globo, que estaria produzindo uma matéria definitiva sobre o suposto atentado a facada, ocorrido durante a campanha eleitoral.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

A má vontade do presidente Jair Bolsonaro (PSL) com as Organizações Globo fica mais evidente ao público a cada tentativa de uma entrevista dos repórteres dos meios de comunicação de propriedade da família Marinho. A tensão, no entanto, aumenta à medida que vazam notícias sobre matéria em andamento nas redações dos jornais, emissoras de rádio e TV do grupo de empresas jornalísticas, sobre os detalhes do suposto atentado contra o então candidato à Presidência da República, na cidade mineira de Juiz de Fora, em plena campanha eleitoral.

Seguranças de Bolsonaro não perceberam as duas tentativas de ataque ao candidato Jair Bolsonaro
Seguranças de Bolsonaro não perceberam as duas tentativas de ataque ao candidato Jair Bolsonaro

Ainda difusas, informações de um profundo desentendimento entre a Globo e Bolsonaro circulam nas redes sociais. Em seu perfil no Twitter, o jornalista Bruno Ribeiro, de Campinas (SP) chega a afirmar em sua conta, mas sem uma fonte definida, que a emissora teria uma “carta na manga” contra presidente da República.

Adélio Bispo

Aumentaram, nos últimos dias, as manifestações de apoiadores de Bolsonaro contra a emissora e o deputado federal Alexandre Frota (PSL) anunciou, em recente entrevista ao diário conservador paulistano Folha de São Paulo, que se reunirá com os representantes da Record, SBT, RedeTV! e, possivelmente, da Band, para apresentar um projeto junto à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, destinado a isolar a empresa de notícias na distribuição das verbas federais.

Em linha com o sigilo que pesa sobre o caso da suposta facada no candidato, que terminou por vencer as eleições de outubro último, a Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais “entrou com mandado de segurança, em Brasilia, para que o advogado Zanone Manuel de Oliveira não seja obrigado a informar (no inquérito instaurado pelo Ministério Público) quem pagou seus honorários para que ele atuasse na defesa de Adélio Bispo de Oliveira, o homem que teria desferido uma facada em Jair Bolsonaro”, informa o jornalista Álvaro Nascimento, em uma nota publicada nas redes sociais.

Contas do Queiroz

“Chama a atenção o volume de pedidos de sigilo que cercam os fatos relacionados aos Bolsonaro. Depois das contas do ‘laranja’ (Fabrício) Queiroz, agora busca-se esconder a fonte dos recursos que pagam a defesa de quem teria agredido Jair com uma facada”, acrescenta.

Ainda segundo Nascimento, “somadas à decisão recente de, na prática, acabar com a Lei de Acesso à Informação, estas atitudes deixam cada dia mais claro que não só o discurso anticorrupção que deu a tônica à campanha de Jair era falso. Há fortes indicadores de que, além das fake news via Whatsapp, a campanha lançou mão de outros tipos de mentiras para enganar de forma criminosa o eleitorado brasileiro”.

“Diante de tantos pedidos de sigilo, permito-me perguntar: e se tiverem saído das contas do ‘laranja’ Queiroz os dinheiros do advogado de Adélio? E se tiverem saído das contas de Queiroz qualquer outro tipo de pagamento que ligue os bolsonaro a eventos relacionados ao pretenso atentado?”, questiona.

Muito estranho

“Achei tão estranho o mandato de segurança impetrado pela OAB-MG para impedir que o Ministério Público tenha acesso ao nome de quem paga o advogado de defesa de Adélio, o homem que teria esfaqueado Jair Bolsonaro, que fui atrás do currículo do presidente do órgão de representação dos advogados mineiros”, pontua Nascimento.

“E descubro que Raimundo Cândido Junior, presidente da OAB-MG exercendo seu quinto mandato consecutivo, foi suspenso por 45 dias das suas funções pelo Conselho Nacional do Ministério Público, punido por ter atuado em 20 processos judiciais movidos pelo MP mineiro como advogado das partes contrárias”, acrescenta.

“Resumindo. Quem impetrou o mandado de segurança para impedir que se saiba quem paga a defesa de Adélio é a mesma pessoa que, segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), feriu (no exercício da advocacia e por 20 vezes) princípios da moralidade, pois sendo procurador do MP atuava como advogado de réus contra o mesmo MP. Tudo muito estranho”, conclui.

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