Aumento da fome no país atinge mais de 19 milhões de brasileiros

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Publicado segunda-feira, 10 de maio de 2021 as 14:22, por: CdB

Região mais atingida do país, no semiárido brasileiro esta proporção dispara. Cerca de 47% dos habitantes estão em situação de fome, segundo dados da PENSSAN. Os pesquisadores registraram cerca de 3 milhões e 674 mil pessoas em situação de insegurança alimentar grave durante a pandemia.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

No Brasil, são mais de 19 milhões de pessoas passam fome todos os dias há mais de um ano, segundo pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (PENSSAN), divulgada nesta segunda-feira.  De acordo com a deputada Dulcicleide Amorim, que integra o grupo, com o aumento dos cortes em políticas públicas, a fome no Brasil ainda pode aumentar.

Milhões de brasileiros voltaram à condição de miséria absoluta, durante o governo de Bolsonaro

— Infelizmente, nós não temos boas expectativas. Se em um momento desses de pandemia, que o governo era para estar preocupado agora era com o que? Com o social, com a saúde. E quando a gente vê que não há uma preocupação dessas do governo. Infelizmente, a gente não vê luz verde no final do túnel, só a vermelha — lamenta a parlamentar.

Região mais atingida do país, no semiárido brasileiro esta proporção dispara. Cerca de 47% dos habitantes estão em situação de fome, segundo dados da PENSSAN. Os pesquisadores registraram cerca de 3 milhões e 674 mil pessoas em situação de insegurança alimentar grave durante a pandemia.

Tendência

A área classificada como semiárido brasileiro compreende todos os Estados da região Nordeste e algumas regiões de Minas Gerais. É um local caracterizado por um clima quente e seco, com longos períodos de seca e baixo índice de chuvas. Ao todo, moram na região 7,7 milhões de pessoas.

Na avaliação da pesquisadora Valquíria Lima, coordenadora executiva nacional da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), esses dados não são apenas consequência da pandemia, mas reflexo da interrupção de políticas públicas.

 — A tendência, com a paralisação de políticas públicas, é a retomada da realidade vivenciada em 2003 e 2004, quando a gente tinha um número significativo de famílias morrendo de fome e morrendo de sede. O que segurou a situação do semiárido foram mais de 10 anos de investimentos em políticas públicas de convivência com o semiárido. E a gente está falando de acesso à água e acesso à condições para produção de alimentos — explica Valquíria.

Novos cortes

No orçamento da União de 2021, as despesas discricionárias chegaram ao menor índice da história, com um corte de R$ 17,2 bilhões, o que impacta na manutenção das políticas públicas.

Segundo a deputada estadual de Pernambuco pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Dulcicleide Amorim, a tendência é de aumento dos cortes. “Agora recentemente, foi aprovado no Congresso Federal e aguarda a sanção do presidente Bolsonaro, um corte de 40% no Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e de 27% no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)”, afirmou a deputada.

— Então, quando a gente vê um corte desse exacerbado de 40% na agricultura familiar, que é uma agricultura que tem justamente um fluxo de alimentar a família. Então, isso prejudica em cheio a nossa região nordeste, já que temos um número crescente de produtores — complementa Dulcicleide.

Cozinhas

Isso tem feito com que movimentos populares e sindicais realizem iniciativas para pressionar pela retomada desse tipo de política, o Comitê Sindical e Popular Contra a Fome de Campina Grande, na Paraíba, iniciou ocupação de cozinhas populares no município.

A política teve início durante o segundo mandato do governo Dilma Rousseff (PT) e do então prefeito Veneziano Vital (PMDB, 2005-2012), mas foram desativadas em 2014 pela gestão do ex-prefeito Romero Rodrigues (PSD, 2013-2020).

— Nós começamos com uma meta inicial de servir 500 refeições; bom isso ficou nos primeiros dias. A média tem sido de 700 a 800 pessoas por dia — relata Paulo Romário, integrante do comitê.

Segundo Romário, o grupo está fazendo o que pode, “porque quem tem fome tem pressa; mas isso é um dever, isso é uma obrigação do poder público”.

— Então, a gente começou uma iniciativa de cobrar da prefeitura de Campina Grande de abrir a cozinha comunitária do Jeremias, mas de abrir as outras cozinhas comunitárias, de abrir o restaurante popular — conclui.

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