Avanço do populismo leva incerteza à Itália

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Publicado segunda-feira, 5 de março de 2018 as 09:51, por: CdB

Sucesso de forças radicais e corrente anti-establishment fragmenta Parlamento. Aliança de centro-direita, que inclui partido de Berlusconi, lidera, mas tem pouca chance de reunir maioria necessária para governar

Por Redação, com DW – de Roma:

A Itália pode enfrentar um período prolongado de instabilidade política depois que os eleitores votaram no domingo, desprezando partidos tradicionais e promovendo a ascensão de grupos antissistema e populistas de direita.

Membros do Movimento 5 Estrelas acompanham apuração eleitoral em Roma

Com mais de 75% dos votos apurados nesta segunda-feira, parece quase certo que nenhum dos três principais blocos poderão governar sozinhos; fragmentando as forças no Parlamento e criando pouca perspectiva para um retorno dos partidos tradicionais ao governo. A coligação de direita que inclui o partido Força Itália, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, deve sair vencedora; mas sem votos suficientes para governar sozinha.

Os partidos Força Itália e os radicais de direita Liga do Norte e Irmãos da Itália obtêm, juntos; cerca de 37% dos votos, seguidos pelo antissistema Movimento Cinco Estrelas (M5S); que deve se firmar como maior partido isolado no Parlamento, com cerca de 31% dos votos.

– Agora, todo mundo terá de falar conosco – disse um dos dirigentes do M5S, Alessandro Di Battista; após uma campanha baseada no protesto contra corrupção e a “casta” política italiana. Nigel Farage, ex-dirigente do Ukip; partido britânico pró-Brexit, felicitou no Twitter os seus “colegas” do M5S.

Fundado pelo comediante Beppe Grillo em 2009; o partido já tinha surpreendido ao conseguir 25% dos votos nas últimas legislativas, em 2013; e garante agora uma posição central no futuro Parlamento, caso o resultado seja confirmado.

A Liga Norte, de Matteo Salvini, legenda eurocética e anti-imigração, chega a 18%, superando o Força Italia, de Berlusconi; que alcança menos de 14%, de acordo com os resultados parciais. Berlusconi esperava liderar a aliança.

O Partido Democrata (PD), legenda de centro-esquerda do ex-premiê Matteo Renzi, conseguiu cerca de 22%, menos da metade do obtido nas eleições europeias de 2014. A confirmação do mau resultado previsto pelas sondagens levou Renzi a renunciar como líder do partido.

Negociações complexas

A ascensão histórica das forças antissistema, eurocéticas e de extrema-direita, maioritárias em votos e assentos nas legislativas de domingo na Itália, mergulha o país na incerteza política. “Pela primeira vez na Europa, as forças antissistema venceram”, resume o editorial do diário La Stampa.

A ausência de uma maioria da coligação de direita, caso se confirme, obrigará os líderes políticos italianos a cálculos e negociações que podem ser longas e complexas.

Uma aliança entre os populistas do M5S e da extrema-direita da Liga do Norte é a única combinação possível para obter uma maioria parlamentar, considerando os resultados parciais. Esta hipótese, entretanto, era até agora categoricamente rejeitada pelos dirigentes de ambas as formações.

– Os vencedores desta batalha eleitoral são Matteo Salvini e Luigi di Maio (do M5S) – assegura o editorial do La Stampa, ponderando que “isso não conduz a qualquer forma de governabilidade”.

Nas próximas semanas, caberá ao presidente italiano, Sergio Mattarella, avaliar os resultados e confiar um “mandato exploratório” àquele que lhe parecer em condições de obter uma maioria no Parlamento.

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