Bagdá vive manhã de saques e terror

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Publicado quarta-feira, 9 de abril de 2003 as 08:43, por: CdB

Uma onda de saques irrompeu em Bagdá, nesta quarta-feira, em meio a comemorações nas ruas da capital iraquiana, onde manifestantes celebraram o que acreditam ser o fim do regime de Saddam Hussein. Fontes militares dos Estados Unidos, no entanto, disseram que ainda era cedo para declarar vitória.

Imagens de televisão mostraram multidões invadindo lojas e depósitos, com as pessoas carregando tudo o que podiam, desde computadores até móveis. Mesmo jipes foram roubados de instalações militares, prédios públicos e instituições científicas.

Enquanto grupos de jovens percorriam as ruas, inabaláveis, poucos sinais podiam ser vistos da presença do regime. Quase não havia soldados, policiais ou milicianos do partido Baath, de Saddam.

E em um claro sinal da ausência do Estado, os censores do Ministério da Informação, que acompanhavam diariamente os jornalistas estrangeiros em sua cobertura dos acontecimentos em Bagdá, não apareceram para desempenhar suas funções, pela primeira vez desde o início da guerra, na noite de 19 de março.

Em meio à confusão, iraquianos perguntaram quem estava administrando seu país, depois que forças norte-americanas entraram em áreas do nordeste de Bagdá quase sem enfrentar resistência.

“Você é jornalista, por favor, me diga o que está acontecendo! Onde está o nosso governo? A quem respondemos agora? Eu não sei mais”, disse um comerciante, Ammar Moussa, que visitava seu filho ferido, em um hospital da cidade.

Sarmad Shakir, um funcionário do hospital, disse que não havia mais rádio nem televisão.

“Nosso governo ainda está no poder ou não? Eu quero saber quando essa confusão toda vai acabar”, acrescentou.

A Rádio Bagdá, que saiu do ar na terça-feira, quando tanques norte-americanos atacaram o oeste da capital, tentou reiniciar suas transmissões, nesta quarta-feira, mas seu sinal estava muito fraco e só se ouviam canções patrióticas.

Já a televisão saiu completamente do ar.

A maioria das comemorações populares ocorreu no setor leste de Bagdá, onde multidões saudaram uma unidade dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.

Tikrit

Ainda nesta quarta-feira, comandantes militares dos EUA focalizaram também sua atenção em outro alvo – Tikrit, a cidade natal de Saddam Hussein, 150 quilômetros ao norte de Bagdá.

O destino de Saddam permanece ignorado.

Forças leais ao presidente iraquiano continuam controlando Al-Mansour, o bairro residencial de Bagdá onde um avião norte-americano lançou quatro bombas, na segunda-feira, destruindo completamente um prédio no qual os EUA acreditavam estar Saddam e seus dois filhos, Uday e Qusay.

Tikrit, que tem 260 mil habitantes e para onde Saddam poderia ter fugido, é defendida por soldados bem treinados, segundo analistas militares.

Equipes de resgate da coalizão realizaram buscas perto de Tikrit, onde caiu um caça F-15E, durante uma missão na região.

O Comando Central da coalizão disse que a queda da aeronave estava sendo investigada.

A União Patriótica do Curdistão, um dos dois principais grupos de curdos iraquianos que se opõem a Saddam, alegou na terça-feira que o líder já se encontrava em Tikrit.

Autoridades norte-americanas disseram que não podiam confirmar se Saddam estava realmente no prédio atacado em Bagdá nem se teria sobrevivido ao bombardeio, caso estivesse.

Mais ao norte, soldados da unidade de operações especiais dos EUA e combatentes curdos ocuparam uma coluna estratégica, nesta quarta-feira, perto de Mosul, que está sob controle do regime iraquiano, segundo um líder curdo.

A área, chamada de Maqloub, vinha sendo usada pela defesa antiaérea do Iraque.