Barroso alerta para risco de intervenção militar nas eleições

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Publicado Domingo, 24 de Abril de 2022 às 11:56, por: CdB

O ministro não citou Jair Bolsonaro, mas os exemplos que deu na palestra fazem referência às críticas que o presidente tem feito às urnas eletrônicas e à necessidade de as Forças Armadas acompanharem todo o processo de perto.

Por Redação, com OESP - de Brasília
Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso afirmou, neste domingo, que há no cenário político brasileiro intenção de usar as Forças Armadas para atacar o processo eleitoral no país. Barroso voltou a defender a integridade das urnas eletrônicas e condenou tentativas de politização dos militares, ressaltando que as Forças Armadas devem resistir, "como já têm feito", a serem objeto das "paixões políticas".
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Barroso foi presidente do TSE e tentou manter o diálogo com as Forças Armadas

O ministro não citou Jair Bolsonaro, mas os exemplos que deu na palestra fazem referência às críticas que o presidente tem feito às urnas eletrônicas e à necessidade de as Forças Armadas acompanharem todo o processo de perto.

— Um desfile de tanques é um episódio com intenção intimidatória. Ataques totalmente infundados e fraudulentos ao processo eleitoral. Desde 1996 não tem nenhum episódio de fraude. Eleições totalmente limpas, seguras. E agora se vai pretender usar as Forças Armadas para atacar. Gentilmente convidadas para participar do processo, estão sendo orientadas para atacar o processo e tentar desacreditá-lo — afirmou Barroso. O ministro participou de um encontro virtual promovido pela universidade alemã Hertie School, de Berlim. Também participaram do 'Brazil Summit Europe' a presidenta deposta Dilma Rousseff (PT), no sábado, e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, neste domingo. Para Barroso, desfiles militares em desafio às instituições são um “mau sinal” desde a Roma Antiga.

Forças Armadas

Quando ocupou a Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Barroso convidou representantes das Forças Armadas a participar da Comissão de Transparência, que analisa o processo de apuração eleitoral e o uso das urnas eletrônicas nas eleições deste ano. — Um fenômeno que em alguma medida é preocupante e que até aqui não tem ocorrido, mas é preciso estar atento, é o esforço de politização das Forças Armadas. Esse é um risco real para a democracia e aqui gostaria de dizer que eu que fui um crítico severo do regime militar, militante contra a ditadura. Nesses 33 anos de democracia, se teve uma instituição de onde não veio notícia ruim foi das Forças Armadas. Gosto de trabalhar com fatos e de fazer justiça — enfatizou Barroso na palestra deste domingo. O ministro afirmou que o Supremo precisa do apoio da sociedade para conseguir enfrentar os ataques e garantir que o resultado das eleições seja respeitado. — No Brasil, penso que temos uma história de sucesso, apesar do esforço contínuo de gerar embates com a Suprema Corte. Nos Estados Unidos, foram 60 ações para tentar anular eleições, duas chegaram à Suprema Corte e nenhuma foi acolhida. Cortes constitucionais não têm condições de ganhar briga se lutarem sozinhas. Precisam de sociedade civil. Onde enfrentaram sozinhas, as Supremas Cortes perderam — alertou.

Eleições

O ministro do STF avaliou ainda que há o risco do que chamou de “retrocesso cucaracha” com o envolvimento do Exército na política, e citou o que aconteceu na Venezuela nas últimas duas décadas, afirmando que o país vizinho se tornou um “desastre humanitário”. — Tenho a firme expectativa de que as Forças Armadas não se deixem seduzir por esse esforço de jogá-las nesse universo indesejável para as instituições de Estado, que é o universo da fogueira das paixões políticas. E, até agora, o profissionalismo e o respeito à Constituição têm prevalecido. Mas não se deve passar despercebido que militares profissionais admirados e respeitadores da Constituição foram afastados, como o general Santos Cruz, general Maynard Santa Rosa, o próprio general Fernando Azevedo. Os três comandantes, todos, foram afastados. Não é comum isso, nunca tinha acontecido — acrescentou Barroso. Emissários do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm sondado generais da cúpula do Exército para saber se o petista conseguirá tomar posse caso seja eleito. Em cerimônia em homenagem ao Dia do Exército na última terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que as Forças Armadas “não dão recados” e “sabem” o que é melhor para o povo. — Não podemos jamais ter eleições no Brasil sobre as quais paire o manto da suspeição — discursou. Apesar da frase de efeito, o presidente condecorou magistrados e até “elogiou” o próprio ministro Barroso.
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