Barroso manda outro recado ao mandatário sobre os riscos de uma aventura golpista

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Publicado quarta-feira, 4 de agosto de 2021 as 16:46, por: CdB

Bolsonaro tem esticado a corda no enfrentamento ao STF e agravou seus ataques ao ministro e disseminou notícias falsas, em defesa ao voto impresso. Na segunda-feira, o TSE aprovou a abertura de um inquérito e o envio de uma notícia-crime ao STF para que o presidente seja investigado.

Por Redação – de Brasília

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Luís Roberto Barroso avisou ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), sem citá-lo, do risco que corre ao ameaçar a democracia brasileira. Barroso tocou no assunto durante palestra nesta quarta-feira a advogados, empresários e funcionários públicos, durante o webinário Reforma Política e Eleitoral, promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado do Rio de Janeiro.

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso falou sobre as tentativas de golpe, em curso atualmente no país

Segundo o jurista, os ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas representam uma vertente do autoritarismo contemporâneo.

— Uma das vertentes do autoritarismo contemporâneo é o discurso de que se eu perder houve fraude, que é a inaceitação do outro, de que alguém diferente de mim possa ganhar as eleições — disse Barroso.

Notícia-crime

Bolsonaro tem esticado a corda no enfrentamento ao STF e agravou seus ataques ao ministro e disseminou notícias falsas, em defesa ao voto impresso. Na segunda-feira, o TSE aprovou a abertura de um inquérito e o envio de uma notícia-crime ao STF para que o presidente seja investigado sobre as ameaças à democracia.

Durante a palestra, nesta manhã, Barroso reafirmou que a alternância do poder é a grande característica da democracia.

— A possibilidade de que quem perde hoje verá respeitada as regras do jogo para tentar ganhar amanhã — ressaltou. Barroso acrescentou, ainda, que os ministros do TSE e os presidentes dos TREs defendem o sistema eleitoral não por interesse pessoal, mas para proteger a democracia. Ele aponta que o voto impresso abre espaços para fraudes, representa riscos de quebra de sigilo em um país que convive com a compra de votos, é mais caro e gera danos ecológicos.

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