BCE volta a flexibilizar política monetária

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Publicado quarta-feira, 4 de setembro de 2019 as 10:20, por: CdB

Enquanto mais de 75% dos economistas disseram que agora é o momento certo para o BCE lançar um pacote de estímulo.

Por Redação, com Reuters – de Bengaluru

O Banco Central Europeu (BCE) cortará sua taxa de depósito na próxima semana e anunciará o reinício de seu programa de compra de ativos, mas mais de 80% dos economistas consultados pela Reuters estão céticos sobre a capacidade do banco de influenciar a inflação no médio prazo.

Pesquisa mostrou que quase 70 economistas esperam que o BCE reduza a taxa de depósito na reunião de 12 de setembro

Uma pesquisa realizada entre 29 de agosto e 3 de setembro mostrou que quase 70 economistas esperam que o BCE reduza a taxa de depósito na reunião de 12 de setembro, com a grande maioria prevendo uma redução de 10 pontos-base, para -0,5%. Quase 25% dos consultados previram um corte de 20 pontos-base.

Operadores veem 60% de chance de um corte de 20 pontos-base na taxa, ante o atual nível de -0,4%.

Quase 90% dos entrevistados disseram que o BCE adotará alguma ferramenta para compensar os bancos dos efeitos colaterais indesejados das taxas de juros negativas.

E quase 90% dos entrevistados também esperam que o BCE anuncie o reinício de impressões de dinheiro, com compras mensais de 30 bilhões de euros a partir de outubro.

Enquanto mais de 75% dos economistas disseram que agora é o momento certo para o BCE lançar um pacote de estímulo, mais de 80% dos entrevistados afirmaram não estar confiantes de que o banco central possa controlar a inflação.

– O BCE deveria fazer algo, mesmo que não seja suficiente para atingir a meta. Essa é uma situação em que eles já estão há bastante tempo e é uma situação em que o Banco do Japão está há muito mais tempo – disse Andrew Kenningham, economista-chefe para a Europa da Capital Economics.

– Não muitos acreditam que a inflação provavelmente aumentará em breve, principalmente devido ao estado da economia mundial e da economia da zona do euro – acrescentou Kenningham.

A mediana das estimativas para o crescimento trimestral variaram entre apenas 0,2% e 0,3%, mudando pouco em relação à sondagem anterior, mas com máximas e mínimas mais baixas para a maioria dos trimestres nos próximos dois anos.

A maioria dos entrevistados reduziu a média de suas previsões anuais de crescimento ou as manteve inalteradas em relação à pesquisa anterior.

Essas preocupações elevaram a chance de recessão na zona do euro no próximo ano para 25% na última pesquisa, ante 20% na sondagem de julho. Mas a probabilidade se manteve em 30% para os próximos dois anos.

Lagarde e foco em mudança climática

O Banco Central Europeu (BCE) precisa manter a política acomodatícia por um longo tempo, mas deve realizar uma revisão mais ampla da política que também leve em conta desafios globais, como as mudanças climáticas, disse Christine Lagarde, provável próxima presidente do banco.

Diante de choques sem precedentes, o BCE foi forçado a reinventar seu conjunto de ferramentas na última década e agora esgotou muitas das medidas não convencionais à sua disposição, sem elevar a inflação ao seu objetivo de quase 2%.

Reconhecendo que o mundo mudou desde a última revisão do BCE em 2003, Lagarde argumentou que, como o Federal Reserve (Fed) e o Banco do Canadá (BoC), o BCE também deveria realizar uma revisão mais ampla.