Beija-flor é campeã, mas Tuiuti surpreende com ‘Temer vampirão’

Arquivado em: Destaque do Dia, Rio de Janeiro
Publicado quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018 as 17:12, por: CdB

Na obra, um cientista dá vida a uma criatura construída com partes de pessoas mortas, tornando-se uma figura feia. No desfile, a figura foi usada para críticas a problemas sociais como corrupção e desigualdades

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

A escola de samba campeã do carnaval de 2018 no Rio de Janeiro é a Beija-Flor de Nilópolis. A escola apresentou o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, baseado no livro de terror Frankenstein, de autoria de Mary Shelley, que completou 200 anos.

Beija-Flor é a campeã do carnaval do Rio de Janeiro

Na obra, um cientista dá vida a uma criatura construída com partes de pessoas mortas, tornando-se uma figura feia. No desfile, a figura foi usada para críticas a problemas sociais como corrupção e desigualdades.

Em uma disputa apertada, a campeã ficou apenas um décimo à frente da segunda colocada, a Paraíso do Tuiuti.

As escolas de samba foram avaliadas em nove quesitos: alegorias e adereços, bateria, fantasia, samba-enredo; comissão de frente, evolução, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira e enredo.

Beija-Flor empolga o público

Com um tom crítico, a Beija-Flor encerrou os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial no início de terça-feira. Além empolgar o público nas arquibancadas e frisas do Sambódromo, quando as últimas alas deixavam a passarela a pista foi invadida e uma multidão foi atrás da azul e branco de Nilópolis, da Baixada Fluminense.

A Beija-Flor defendeu o enredo Monstro é aquele que não sabe amar, os filhos abandonados da pátria que os pariu; criado pelo coreógrafo da comissão de frente Marcelo Misailidis, baseado no livro de terror Frankenstein, de autoria de Mary Shelley. “A crítica é sobre a ambição e a ganância desmedida do ser humano, que levam as pessoas a se perderem de si mesmo. É um enredo auto-reflexivo também; não é só voltado para a questão política ou da ganância econômica. É também auto-reflexivo sobre o processo das corrupções em geral; e até sobre as questões ecológicos que precisam ser pensadas”, disse à Agência Brasil.

Na obra, que agora completa 200 anos, um cientista dá vida a uma criatura construída com partes de pessoas mortas; tornando-se uma figura feia. Depois de rejeitada pelo criador, ela vaga em busca de companhia. E no desfile, a figura foi usada para um dos momentos de crítica no carro com o título de A Intolerância. Além de trazer a cantora Pabllo Vittar na frente, no meio da alegoria uma cabeça enorme de Frankenstein; se desfazia em fatias onde se lia embaixo palavras como racismo, feminicídio, ódio, discriminação, preconceito e xenofobia.

Desfile

Em outra parte do desfile, criticando a corrupção, uma ala fez uma encenação de um banquete com homens e mulheres. Os homens estavam de terno preto com um pano branco na cabeça; lembrando o episódio chamado de Farra dos Guardanapos, que ocorreu em setembro de 2009 e foi exposto ao conhecimento público por meio de fotos. Naquele momento Sérgio Cabral, então governador do Rio de Janeiro; e seus assessores participavam de uma comemoração com empresários brasileiros e franceses.

Na alegoria O Abandono, a Beija-Flor mostrou várias cenas entre simulações de assaltos e de violência nas escolas em; que alunos levam armas para as salas de aula. E no fim mais uma encenação, os integrantes da ala vestidos com roupas comuns do cotidiano simularam arrastões; mortes pela violência e estamparam mensagens como “quero mais emprego”;  “chega de bala perdida” e “cuidar das crianças é cuidar do futuro !!!”

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