Berlusconi depõe diante do Tribunal de Milão

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Publicado terça-feira, 6 de maio de 2003 as 09:49, por: CdB

O primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, compareceu voluntariamente nesta segunda-feira, diante do tribunal de Milão, para dar sua versão sobre o caso em que é acusado de subornar juízes romanos que avaliavam a venda de uma empresa.

A promotoria de Milão acusa o premiê de ter influenciado alguns juízes romanos para que bloqueassem a venda da SME, uma empresa do setor alimentício ligada ao consórcio estatal IRI, ao empresário italiano Carlos de Benedetti, ex-presidente da Olivetti.

Segundo a promotoria, o objetivo de Berlusconi era impedir que De Benedetti ficasse com a empresa, que terminou sendo fracionada e vendida a numerosos grupos do setor, alguns italianos e outros internacionais.

Em seu depoimento, que durou cerca de 50 minutos, Berlusconi explicou que, na realidade, apenas evitou que o estado fizesse um péssimo negócio.

– Eu não tinha nenhum interesse direto na operação, foi Bettino Craxi (premier italiano na época) que me pediu que intervisse porque acreditava que a operação prejudicava o estado – disse ao abrir sua declaração.

De acordo com Berlusconi, o preço obtido na venda pulverizada da empresa foi muito superior ao que seria conseguido se o negócio fosse firmado com De Benedetti.

Ele chegou a afirmar que, por trás das negociações para a venda da empresa agroalimentar para De Benedetti, poderiam haver alguns casos de corrupção.

– Giuliano Amato (senador) me falou de subornos a uma corrente do partido de maioria da época, a Democracia Cristã –

O depoimento do premiê não poupou o presidente italiano, Romano Prodi. Sem citá-lo nominalmente, Berlusconi apenas afirmou que “o Tribunal deveria escutar as declarações de todos os membros do conselho de administração do IRI”.

De Bruxelas, Prodi acompanhou as declarações do premier e se limitou a dizer, através de um porta-voz, que “por enquanto, não há nada a declarar: estamos seguindo este processo judicial e quando houver eventuais declarações que impliquem ao chefe da Comissão Européia, também chegarão as repostas adequadas”.