Biden toma posse em eventos virtuais e com esquema de guerra

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Publicado quarta-feira, 20 de janeiro de 2021 as 11:13, por: CdB

Sem público, sem antecessor e com 25 mil soldados: com a pandemia e um ataque ao Congresso como pano de fundo, a cerimônia que tornou o democrata presidente dos EUA foi sem precedentes.

Por Redação, com DW – de Washington 

O democrata Joe Biden tomou posse nesta quarta-feira como presidente dos Estados Unidos, numa cerimônia em Washington sem precedentes na história norte-americana. A pandemia e o clima de tensão gerado após a recente invasão do Congresso tornaram os arredores do Capitólio uma região fantasma.

Para garantir a segurança durante a posse, 25 mil membros da Guarda Nacional foram destacados

Cerca de 25 mil soldados da Guarda Nacional fizeram a segurança do Capitólio, da Casa Branca e dos arredores, que ficaram protegidos por um anel de barricadas e cercas altas.

O Centro de Washington foi dividido em zonas “verdes” e “vermelhas”, de acordo com o nível de restrições a que estão submetidas. Isso despertou comparações na imprensa local com a ocupação norte-americana em Bagdá.

Nesta quarta, todas as etapas da posse foram realizadas on-line e sem o atual presidente Donald Trump, diferentemente de quase todos os seus antecessores, não participou da cerimônia.

Em vez de um desfile pela Avenida Pensilvânia, haverá um memorial no Cemitério Nacional de Arlington. Em vez de bailes, haverá festas pelo Zoom. Em vez de centenas de milhares se reunindo nos arredores do Capitólio e no National Mall, houve milhares de membros da Guarda Nacional.

O discurso: apelo à união

A união foi o tema principal do discurso de posse do presidente eleito. Segundo fontes ligadas ao democrata, ele vai estender a mão “a todos os norte-americanos” para que superem as profundas divisões do país.

O discurso deve durar de 20 a 30 minutos, um pouco mais longo do que o feito há quatro anos na posse de Trump, que durou 16 minutos.

Trump optou por não comparecer à posse, tornando-se o primeiro presidente a fazê-lo desde Andrew Johnson, em 1869. A tradição de um presidente ir à posse de seu sucessor começou com George Washington e projeta para o país e para o mundo que os EUA estão fazendo a transição para uma nova liderança em paz.

O governo Trump esteve representando pelo seu vice, Mike Pence, que já ligou para sua sucessora, Kamala Harris, dando-lhe os parabéns pela vitória nas eleições de 3 de novembro. Trump até hoje não parabenizou Biden.

Biden e Harris pediram aos apoiadores que fiquem em casa por causa da pandemia. O National Mall, amplo parque na capital, está fechado, e apenas uma pequena parte dos ingressos normalmente entregues para uma posse será distribuída.

Membros da Guarda Nacional afastados

Cerca de 200 mil pequenas bandeiras dos EUA foram instaladas no National Mall, representando aqueles que não podem comparecer.  Alguns legisladores de ambas as partes indicaram que não comparecerão por motivos de segurança, após o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio.

Cerca de 12 membros da Guarda Nacional foram afastados das funções relacionadas com a posse de Biden, dois deles por expressarem sentimentos antigovernamentais, segundo os funcionários do Departamento de Defesa.

Dois dos membros foram removidos por causa de textos nas mídias sociais que faziam comentários ameaçadores às autoridades políticas. O Pentágono não especificou a natureza exata das ameaças.

Shows e presença de outros antecessores

Sem público, o evento foi praticamente virtual, acompanhado por um programa que foi transmitindo ao vivo por vários canais televisivos. Ele foi conduzido pelo ator Tom Hanks, e a cantora Lady Gaga cantou o Hino Nacional.

Houve também shows de artistas como Justin Timberlake, Jon Bon Jovi, Demi Lovato e Ant Clemons. Segundo os produtores, o programa “mostrou a resiliência, o heroísmo e o compromisso unificado do povo norte-americano de se reunir como uma nação para curar e reconstruir”.

Após o juramento, Biden colocou uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido, no Cemitério Nacional de Arlington. Três antecessores estiveram presentes em todos os momentos da tomada de posse: Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama.

Depois do cemitério, a carreata presidencial parou a algumas centenas de metros da Casa Branca, e Joe Biden pode caminhar até sua nova residência.

O novo presidente deverá então anunciar as suas primeiras decisões presidenciais. Espera-se que Biden apresente um pacote de decretos, que anularão algumas das mais polêmicas políticas de Trump. Entre elas estão a volta ao Acordo Climático de Paris e à Organização Mundial da Saúde e o cancelamento da construção do muro na fronteira com o México.