BNDES será representado por escritório americano

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Publicado sexta-feira, 11 de abril de 2003 as 11:05, por: CdB

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) decidiu firmar um acordo operacional com um escritório de advocacia nos Estados Unidos para cuidar dos interesses da instituição naquele país. A escolha não será feita por meio de licitação, mas, segundo informações do banco, por uma pesquisa que apontará a melhor relação entre qualidade e preço. O escritório receberá por serviços prestados ao BNDES e a função dos advogados será a de monitorar o desempenho das empresas norte-americanas com as quais o banco mantém negócios. Ou seja, aquelas que devem dinheiro ao BNDES.

Mais especificamente, o banco não quer ser surpreendido com concordatas ou títulos protestados de empresas norte-americanas das quais tem créditos a receber. O objetivo é evitar problemas a exemplo do que ocorreu com a empresa AES, que está inadimplente com o BNDES desde janeiro.

Além disso, os advogados poderão representar o banco em ações judiciais nos Estados Unidos, incluindo a execução de garantias dadas pelas empresas para aprovação do financiamento.

Além de companhias estrangeiras do setor elétrico – um setor com a saúde financeira abalada – o BNDES também aprovou financiamentos para empresas norte-americanas de telecomunicações e, principalmente da indústria de aviação. O estoque de financiamento do BNDES para o setor aéreo soma cerca de US$ 4 bilhões.

As companhias aéreas dos EUA, como a American Airlines, por meio de seu braço regional, American Eagle, e a Continental, receberam financiamento do banco para importação de aviões da Embraer. A operação, conhecida como “buyers credit”, prevê que a cada aeronave entregue pela empresa brasileira, o BNDES Exim, braço do BNDES dedicado ao crédito para exportações, libera para a Embraer a importância equivalente ao valor que está sendo exportado para os norte-americanos.

Os advogados do banco nos EUA, nesse caso, terão uma atuação preventiva. A indústria de aviação norte-americana passa por uma das piores crises de sua história. A American Airlines, com quem o banco tem créditos de aproximadamente US$ 2 bilhões por intermédio da American Eagle, amargou prejuízos de US$ 2 bilhões no ano passado. Além disso, enfrenta problemas com os sindicatos dos trabalhadores para pôr em prática seu plano de corte de custos trabalhistas de US$ 1,8 bilhão, o que poderá afetar o plano de saneamento da empresa.

A guerra no Iraque agravou ainda mais a situação das companhias aéreas em todo o mundo e, especialmente, as norte-americanas. A taxa de ocupação mínima das empresas áreas nos EUA para garantir rentabilidade dos vôos gira em torno de 85%. Desde o início da guerra, esse percentual médio caiu para cerca de 70%.