Bolsa reabre após circuit breaker mas as perdas subiam, com o dólar a R$ 5

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Publicado quinta-feira, 12 de março de 2020 as 16:39, por: CdB

A primeira utilização do circuit breaker aconteceu menos de 20 minutos após a abertura do pregão, com mais de 11% no vermelho. Às 11h14, o dispositivo foi acionado pela segunda vez. A primeira pausa durou 30 minutos. A segunda, uma hora.

Por Redação – de São Paulo

A B3, Bolsa de Valores de São Paulo, voltou a negociar as ações após o segundo circuit breaker do pregão, nesta quinta-feira, mas as perdas permaneciam acima de 15%, atingindo 16,21%, às 12h45, aos 71.363,86 pontos. O índice Ibovespa acumulou mais de 15% de queda e paralisou as negociações por duas vezes no dia.

Pela manhã o dólar chegou a tocar o nível de R$ 4,0621 na venda, em meio a expectativas positivas de um acordo comercial entre Estados Unidos e China
Pela manhã o dólar chegou a tocar o patamar dos R$ 5 na venda, em meio a expectativas negativas no cenário internacional

A primeira utilização do circuit breaker aconteceu menos de 20 minutos após a abertura do pregão, com mais de 11% no vermelho. Às 11h14, o dispositivo foi acionado pela segunda vez. A primeira pausa durou 30 minutos. A segunda, uma hora.

Passageiros

Na véspera, o Ibovespa fechou em queda de 7,6%, em nova sessão com circuit breaker, tendo de pano de fundo decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS) de classificar o coronavírus como pandemia.

Após o fechamento do mercado à vista, também repercutiu mal a derrubada pelo Congresso Nacional do veto presidencial a projeto que amplia o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), pressionando o mercado futuro de ações.

No final da noite, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs restrições abrangentes a viagens da Europa para o país, obrigando passageiros a remarcar voos, bem como anunciou outras medidas para combater o vírus.

Europa

“Os mercados globais estão abrindo novamente em estado de pânico. Estamos vivendo a tempestade perfeita, o ‘Black Swan’ clássico”, destacou o estrategista Dan Kawa, da TAG Investimento, em email a clientes.

Ele destacou que algumas questões continuam em evidência e sem uma solução de curto prazo, entre elas o coronavírus, a guerra do petróleo, a disputa entre Congresso e governo no Brasil e a sensação de que os bancos centrais estão sem munição.

Nos EUA, os índices de ações retomavam as negociações, nesta quinta-feira, depois de suspensão de 15 minutos, já que o índice S&P 500 caiu 7% e provocou uma interrupção automática logo após o sino de abertura, pela segunda vez nesta semana. Wall Street afundava em território baixista depois que a medida chocante do presidente Donald Trump, de proibir viagens da Europa, abalou os investidores já alarmados com a recessão global.

Pregão

O dólar, por sua vez, chegou a superar os R$ 5 na manhã desta quinta-feira, mas reduzia a alta após ação do Banco Central, com os mercados tomados pela aversão a risco. Às 10h25, o dólar avançava 3,65%, a R$ 4,8931 na venda após dois leilões de dólar à vista pelo BC, mas chegou a tocar o recorde histórico de R$ 5,0287 na máxima do dia.

O salto do dólar seguia restrições abrangentes de Donald Trump a viagens da Europa para os EUA, obrigando passageiros a remarcar voos e deixando os mercados globais em pânico conforme as medidas de prevenção contra a doença afetam as cadeias de suprimento globais, elevando os riscos de uma recessão econômica.

“Hoje, os mercados financeiros dão sequência ao caos instalado em função da expansão do coronavírus pelo mundo”, disse em nota a Correparti Corretora. “Ontem, a OMS reconheceu a enfermidade como uma pandemia, o que serviu para aprofundar o sentimento de fuga do risco pelos investidores. Além disso, a proibição dada pelo presidente norte-americano (…) serve para aprofundar ainda mais o desmonte dos mercados”, acrescentou.

Congresso

No exterior, a cautela generalizada impulsionava o dólar contra boa parte das divisas arriscadas, como rand sul-africano, lira turca, peso mexicano, dólar australiano e iuan chinês, que avançavam entre 0,7 e 3,7%. Enquanto isso, iene japonês e franco suíço, ativos considerados seguros, ganhavam contra a moeda norte-americana.

Somado à tensão internacional, o “fato de Congresso e governo domésticos estarem em conflito aumenta pressão” sobre o real, de acordo com Jefferson Laatus, sócio fundador do grupo Laatus.

O Congresso derrubou na quarta-feira veto presidencial a projeto que amplia o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), em um momento de acirramento da relação entre o Congresso e o Executivo tendo como pano de fundo a disputa pelo controle de recursos relacionados ao Orçamento Impositivo.

Tendência

Em meio à disparada da moeda norte-americana, o Banco Central realizou nesta quinta-feira leilão de venda à vista de até 2,5 bilhões de dólares, em que vendeu 1,278 bilhões, depois de cancelar o anúncio de venda de até 1,5 bilhão feito no dia anterior. Depois de não conseguir vender o total da oferta, o BC anunciou novo leilão de até 1,25 bilhões em moeda à vista, vendendo apenas 332 milhões.

— O Banco Central não conseguiu vender tudo ofertado nos leilões porque não há demanda na ponta à vista. Está tendo demanda no (dólar) futuro, uma medida de proteção. “Muita coisa vai acontecer ainda no dia de hoje, e a tendência é ver o BC fazendo vários leilões — disse Jefferson Laatus.

Na última sessão, a moeda norte-americana fechou em alta de 1,61%, a R$ 4,7207 na venda, segunda mais alta cotação de fechamento da história. Esta é o 15° pregão de alta do dólar em 17 sessões.

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