Bolsonaristas formam esquadrões de ataque à democracia no Telegram

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Publicado segunda-feira, 16 de maio de 2022 as 17:27, por: CdB

A ideia de “revelar a verdade” também dá a tônica da atuação de Bolsonaro. Em julho do ano passado, o capitão reformado prometeu apresentar provas de suposta fraude no sistema eleitoral durante o pleito de 2018. Na época, o hoje presidente disse que, na verdade, teria vencido o pleito já no primeiro turno.

Por Redação, com BdF – de São Paulo
Telegram
O aplicativo Telegram tem sido usado como um dos principais meios de difusão de notícias falsas, no Brasil

Uma das pautas que não sai da boca do presidente Jair Bolsonaro (PL) é a suposta fragilidade das urnas eletrônicas, como forma de deslegitimar o processo eleitoral brasileiro. Na mesma linha, o assunto também é dominante nos grupos de extrema-direita do Telegram. Letícia Cesarino, professora no Departamento de Antropologia e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), estuda a fundo o comportamento bolsonarista em grupos, e aponta: “os (assuntos) mais compartilhados, as pautas e as narrativas que se sobressaem no conjunto dos grupos e canais que a gente analisa, têm a ver não necessariamente com alegação direta de fraude nas urnas, mas com a deslegitimação da institucionalidade que garante o resultado da eleição”.

 — E é justamente a extrema-direita, aliada do presidente Jair Bolsonaro, que domina esse ambiente. Nessas plataformas mais subterrâneas, como o Telegram, é dominância total da direita. O modo como eles se vendem, como produtores de conteúdo, tem a ver com estar revelando verdades que a mídia esconde. E é assim que eles ganham fidelidade desses seguidores — complementa.

A ideia de “revelar a verdade” também dá a tônica da atuação de Bolsonaro. Em julho do ano passado, o capitão reformado prometeu apresentar provas de suposta fraude no sistema eleitoral durante o pleito de 2018. Na época, o hoje presidente disse que, na verdade, teria vencido o pleito já no primeiro turno. Logo depois, no entanto, a “verdade” revelada não passou de alegações antigas e falsas de que as urnas eletrônicas completaram o voto no número do PT à revelia da escolha dos eleitores.

Influenciadores

Segundo a pesquisadora, aumentou a produção e difusão de desinformação nas redes sociais no Brasil, principalmente junto à extrema-direita.

— A máquina está funcionando a todo vapor, mas tem um aspecto diferente de 2018, quando teve um caráter expansivo. Depois da (suposta) facada, ela (a máquina) conseguiu uma expansão e capilaridade para além daqueles grupos segmentados e influenciadores mais raiz do bolsonarismo. Através do WhatsApp, principalmente, se vê uma capilaridade muito grande para campanha — afirmou.

Cesarino cita, ainda, que este ano, “em se tratando de reeleição, com quatro anos de governo, pandemia, a volta do Lula para a corrida eleitoral, o bolsonarismo está em um momento ruim”.

— O ecossistema foi diminuindo de tamanho em comparação ao que chegou a ser na campanha. Mas, ao que tudo indica, eles estão “repivotando” a máquina para eleição em si, como fizeram em 2018. Agora o que mudou foi esse padrão para usar a máquina não só pra tentar aumentar a base eleitoral, mas para desestabilizar a própria legitimidade da eleição. Isso sempre esteve colocado, inclusive com essa pauta da fraude nas urnas. Sempre foi uma das narrativas, mas não era importante naquele momento, porque Bolsonaro tinha vencido e estava com apoio grande — acrescentou.

Fraude

Segundo a antropóloga, neste ano a pauta ganhou corpo e, “pelo menos nos dados que a gente trabalha da plataforma Telegram, sem dúvida é a pauta dominante”.

— Os (assuntos) mais compartilhados, as pautas e as narrativas que se sobressaem no conjunto dos grupos e canais que a gente analisa, têm a ver não necessariamente com alegação direta de fraude nas urnas, mas com a deslegitimação da institucionalidade que garante o resultado da eleição — observou.

Nessas plataformas mais subterrâneas, como o Telegram, é dominância total da direita, é outra escala. É um nicho da direita, e vai continuar sendo, porque é ali que eles operam. A esquerda política tem uma interface com a grande mídia, que essa direita, dos deputados para baixo, não têm. Eles não têm onde ter visibilidade que não na internet.

— O nicho é deles. Então por mais que a esquerda cresça, esse continua sendo um nicho deles — concluiu.

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