Bolsonaro abre cofres públicos para o ‘Centrão’ e libera o Incra

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Publicado terça-feira, 2 de junho de 2020 as 15:23, por: CdB

Bolsonaro também nomeou para uma diretoria da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) um nome ligado ao ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), aliado próximo ao presidente.

Por Redação – de Brasília

O governo do presidente Jair Bolsonaro voltou a nomear nesta terça-feira um nome vinculado a partidos do centrão para um cargo de terceiro escalão na administração federal ao entregar para uma pessoa ligada ao PL a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Pernambuco.

O ex-deputado Valdemar da Costa Neto, líder do PL, uma das legendas do 'Centrão', é hoje figura proeminente no governo Bolsonaro
O ex-deputado Valdemar da Costa Neto, líder do PL, uma das legendas do ‘Centrão’, é hoje figura proeminente no governo Bolsonaro

Bolsonaro também nomeou para uma diretoria da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) um nome ligado ao ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), aliado próximo ao presidente.

Para o Incra de Pernambuco foi nomeado Thiago Angelus Conceição Brandão, assessor parlamentar do PL na Assembleia Legislativa do Estado em 2019. Em 2018, foi presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e é formado em publicidade e propaganda. Seu currículo não mostra relação com a área de reforma agrária.

Impeachment

Já para a Sudeco, a nomeação foi de Roberto Postiglione de Assis Ferreira Júnior, nomeado para a diretoria de administração do órgão. Ele já exerceu o cargo de planejamento e avaliação na Sudeco, no governo de Michel Temer.

Na época, Postiglione foi indicado também por Fraga em uma tentativa de atrair o deputado na votação que avaliava a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer. Se perdesse a votação, Temer seria afastado da Presidência. Bolsonaro se aproximou recentemente de partidos do ‘Centrão’ e tem indicado nomes ligados à legendas do grupo para a administração federal.

A manobra pode dar ao presidente uma base de sustentação no Parlamento capaz de barrar um eventual processo de impeachment — existem dezenas já protocolados — ou eventual denúncia criminal da PGR, que investiga acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que Bolsonaro buscou interferir politicamente na Polícia Federal.

Mentiras

Diante a evolução do mandatário neofascista junto aos setores mais venais do Congresso, até a ex-candidata de centro-direita derrotada à Presidência, em 2018, que não costuma se pronunciar sobre o cenário político nacional, Marina Silva sai em oposição ao presidente.

”Subestimamos a tosquice de Jair Bolsonaro durante as eleições e não podemos incorrer no mesmo tipo de erro e descaso nesse momento grave que vive o Brasil”, disse a ex-senadora, líder do partido Rede. “É preciso reforçar e ampliar todo tipo de ação institucional e mobilização cidadã contra qualquer aspiração de aventura autoritária no país”, afirmou, em sua página no microblog.

“O presidente promove o caos deliberadamente. Insufla manifestações que pedem medidas inconstitucionais. Ataca a imprensa. Defende veículos propagadores de mentiras e desinformação”, acrescenta Marina.

“O cenário é preocupante e assustador, exige firmeza imediata no seu enfrentamento. Não podemos tolerar o uso de mensagens e símbolos nazistas em manifestações de apoio ao governo como parte da ‘normalidade’ democrática. Divulgação e enaltecimento do nazismo é crime”, conclui.

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