Bolsonaro aceita risco de se tornar inelegível em julgamento no Supremo

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Publicado quinta-feira, 23 de agosto de 2018 as 16:10, por: CdB

O julgamento ficara para o dia 4 de setembro. Contudo, a defesa de Bolsonaro pediu para antecipar a análise do caso por não ter como comparecer no dia 4. Se for considerado culpado, passará a incorrer na Lei da Ficha Limpa e, assim, torna-se inelegível.

 

Por Redação – de Brasília

 

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello aceitou, nesta quinta-feira, o pedido da defesa do candidato a presidente do PSL, Jair Bolsonaro (RJ) para que o julgamento de denúncia contra o deputado por racismo ocorra o quanto antes. A ação, portanto, entra em pauta na próxima terça-feira, junto à 1ª Turma da corte.

Bolsonaro será julgado por racismo, após comparar pretos a animais, em palestra em clube judeu
Bolsonaro será julgado por racismo, após comparar pretos a animais, em palestra em clube judeu

O presidente do colegiado, ministro Alexandre de Moraes, havia inicialmente marcado o julgamento para o dia 4 de setembro. Contudo, a defesa de Bolsonaro pediu para antecipar a análise do caso por não ter como comparecer no dia 4. Se for considerado culpado, passará a incorrer na Lei da Ficha Limpa e, assim, torna-se inelegível.

Em seu despacho, Marco Aurélio Mello, relator do caso, concordou com o pedido da defesa de antecipar a apreciação da matéria, destacando o fato de que ela chegou a abrir mão do prazo de 5 dias entre a publicação da pauta e a realização da sessão.

Hebraica

“Defiro o que requerido, antecipando, para a sessão do próximo dia 28 de agosto, o exame quanto ao recebimento, ou não, da denúncia. Encaminhem cópia desta decisão à Secretaria da Turma, para as providências cabíveis”, determinou Marco Aurélio.

O presidente da turma e responsável por organizar a pauta, Alexandre de Moraes, ainda não se pronunciou sobre a decisão de antecipar a análise do caso. A denúncia criminal contra Bolsonaro —líder nas pesquisas de intenção de voto em cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva— foi oferecida pela Procuradoria-Geral da República em abril e se refere a uma palestra que o candidato deu no Clube Hebraica do Rio de Janeiro ano passado.

Na ocasião, na avaliação da PGR, Bolsonaro fez um discurso de incitação ao ódio e preconceito direcionado a diversos grupos, como culpar indígenas pela não construção de hidrelétricas em Roraima.

Excertos

Em manifestação nos autos deste caso, a defesa de Bolsonaro disse que, ao oferecer a denúncia, a PGR agiu com “certo oportunismo diante da campanha eleitoral que se avizinhava”. Os advogados de Bolsonaro alegam que as declarações dele não configuram o crime de racismo.

“Pelo contrário: longe de configurarem crimes, tais excertos expressam tão somente a opinião política do defendente, na qualidade de parlamentar no exercício da sua função, em diálogo mantido com o seu eleitorado”, diz a peça da defesa.

A pressão sobre Bolsonaro fica maior, à medida que se aproximam as eleições. Nos últimos dias, o candidato neonazista se cercou de seguranças e, em público, aparece usando um coleta à prova de balas. O acessório fica visível sob o casaco, embora fechado até o pescoço, durante visita a um município paulista, na véspera.

Longe de debates

Ex-capitão do Exército, Bolsonaro lidera as pesquisas de opinião por uma margem cada vez menor, em cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sua situação política, no entanto, piora a olhos vistos, diante dos obstáculos que precisará superar para seguir adiante na corrida eleitoral.

Trata-se do candidato mais rejeitado entre as mulheres, que compõe 52% da população brasileira. Segundo Ibope, 41% das mulheres não votariam nele de jeito nenhum, homens em 33%.

Bolsonaro enfrenta, ainda, a maior resistência entre jovens eleitores e na região Nordeste. No Nordeste, região em que Lula apresenta predomínio de votos, Bolsonaro é rejeitado por 46%. No Norte e Centro-Oeste, a rejeição ao seu nome está em 30%, enquanto no Sudeste é de 34% e no Sul 39%.

Farsa eleitoral

O presidenciável possui, ainda, a maior rejeição entre quem tem nível superior, 45%; entre eleitores com 16 a 24 anos, 45% o descartam como opção de voto. Bolsonaro também é oi mais rejeitado por pretos e pardos 39% do que por brancos 34%.

Simulações têm apontado que ele é favorito para ir ao segundo turno, mas seria derrotado por quase todos os candidatos, exceto, hoje, por Fernando Haddad (PT). Atualmente, a projeção consta que o representante do fascismo teria 38% em eventual segundo turno, contra 29% do substituto de Lula.

Diante de seus últimos resultados, nas pesquisas, o candidato declarou, nesta manhã, que não pretende mais participar dos debates da campanha à Presidência. A negativa ocorre mesmo depois de ele ter assegurado, em junho, que estaria presente em todos os encontros, A informação é o presidente do PSL, Gustavo Bebianno.

Segundo o dirigente partidário, os debates se transformaram em uma “farsa”, na qual é impossível aprofundar qualquer proposta.

Tremendo de medo

Bebianno afirmou que a direção da rádio Jovem Pan, emissora onde ocorrerá o próximo debate, na segunda-feira, já foi informada da decisão. O presidente do PSL, contudo, deixou uma porta aberta para, eventualmente, participar de “um ou outro” debate.

— Não tem como se aprofundar em nada. Ali, todo mundo é dono da verdade. Fica um exercício de concisão que não tem sentido algum. O Bolsonaro é uma candidato diferente. É tudo mentira. É ridículo. Por isso, infelizmente, tomamos essa decisão — retrucou Bebianno.

O presidente do PSL negou que o confronto direto entre Bolsonaro e Marina Silva (Rede), no último debate, realizado pela Rede TV na sexta-feira passada, tenha pesado na decisão. No embate com Marina, ele foi questionado sobre a diferença salarial entre homens e mulheres.

— Não tem relação. Mas esse episódio é a prova da hipocrisia em que os debates se transformaram. A Marina falou uma coisa no debate, mas, em outra entrevista, falou outra coisa. A Marina estava na minha frente. Estava tremendo, morrendo de medo — concluiu.

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