Bolsonaro acredita que Eduardo possa “pacificar” o PSL

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Publicado terça-feira, 22 de outubro de 2019 as 11:01, por: CdB

Bolsonaro disse ainda, em Tóquio, que no caso de Eduardo desistir da embaixada, poderia indicar para o cargo Nestor Foster, o atual encarregado de negócios em Washington.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira preferir que seu filho Eduardo, indicado para assumir a embaixada brasileira em Washington, desista da cargo e permaneça no Brasil em seu posição de deputado federal pelo PSL para “pacificar seu partido”.

Para o presidente neofascista Jair Bolsonaro, houve excessos por parte de membros do PSL e Eduardo pode dar fim à crise
Para o presidente neofascista Jair Bolsonaro, houve excessos por parte de membros do PSL e Eduardo pode dar fim à crise

– Obviamente isso o Eduardo vai ter que decidir nos próximos dias, talvez antes de eu voltar ao Brasil, se quer ter seu nome submetido ao Senado para a embaixada ou não – disse Bolsonaro a jornalistas, durante a visita ao Japão.

– No meu entender, (o melhor) é ele ficar no Brasil, até para pacificar o partido dele, ver o que pode catar de caco, por assim dizer. Porque teve gente ali que foi para o excesso – acrescentou, fazendo referência à guerra interna do partido, marcada por trocas de insultos entre parlamentares.

O presidente revelou que indicaria o filho para a embaixada nos Estados Unidos no início de julho, um dia depois de Eduardo completar 35 anos — a idade mínima para o cargo. No entanto, apesar de o governo norte-americano já ter dado o agrèment —uma espécie de aceite do país anfitrião—, até hoje o Planalto não enviou a mensagem para o Senado porque Eduardo não teria os votos suficientes para ter sua indicação aprovada.

Nos últimos dias, Eduardo se tornou peça central na crise que envolve o PSL, tendo sido indicado para assumir a liderança do partido na Câmara pelo grupo bolsonarista do partido, em uma briga aberta com o ex-líder Delegado Waldir (GO), que é ligado ao presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PE).

Na segunda-feira, depois de uma guerra de listas de assinatura para nomeação de líder, o grupo bolsonarista conseguiu 29 assinaturas (uma delas não confirmada pela Câmara) e Waldir cedeu, liberando a liderança para Eduardo. O mínimo necessário eram 27. O filho do presidente, no entanto, está longe de ser um consenso no PSL.

Embaixada nos EUA

Eduardo, em tese, estaria na liderança até o final do ano. Na volta do recesso parlamentar, em fevereiro, o partido teria que fazer uma eleição. Ao assumir a liderança agora, Eduardo teria que adiar a ida para Washington por mais algum tempo, sendo que o Brasil já está sem embaixador nos Estados Unidos desde abril.

Bolsonaro disse ainda, em Tóquio, que no caso de Eduardo desistir da embaixada, poderia indicar para o cargo Nestor Foster, o atual encarregado de negócios em Washington.

– Nós temos lá o Nestor Foster. Ele é um bom nome. Obviamente o Eduardo desistindo que eu mande o nome dele ao Senado, tendo em vista a importância política dele dentro do partido, o Foster é um bom nome para ser consolidado lá – disse o presidente aos jornalistas.

Amigo do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e ligado a Olavo de Carvalho, Foster foi promovido ao topo da carreira em junho deste ano, em preparação para a indicação ao cargo de embaixador, mas foi surpreendido pela decisão do presidente de apontar o filho.

Uma experiente fonte do Senado disse à agência de notícias britânica Reuters, antes mesmo da confusão envolvendo a liderança da Câmara, que considerava “muito difícil” a indicação de Eduardo para embaixador passar. Segundo essa fonte, que pediu anonimato, o governo já se demonstrava muito inseguro com o nome e estava “jogando com o balcão” para tentar convencer os parlamentares. Isto é, oferecendo cargos e emendas parlamentares.

Crise não contaminará a reforma da Previdência, garante Major Olímpio

O líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP), afirmou na segunda que a crise interna que abate o partido não contaminou a discussão da reforma da Previdência, e confirmou que ela deve ser votada em segundo turno pelo plenário da Casa na terça-feira. Olimpio já deixou claro a preferência pela saída de Flávio Bolsonaro do partido e abriu críticas aos três filhos do presidente.

O líder calcula ainda que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) terá os votos necessários —o equivalente a três quintos dos 81 senadores— para ser aprovada.

– Apesar de todo o tumulto na articulação política, nós temos a convicção que amanhã vamos votar e aprovar o segundo turno da reforma da Previdência. Logicamente que se tentará votar mais destaques mas nós acreditamos que teremos os votos suficientes – disse o líder.

– A crise interna do PSL não contaminou o Senado, graças a Deus. Então, apesar da desarticulação, amanhã nós temos a convicção que vamos entregar para o Brasil uma nova Previdência – completou.

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