Bolsonaro ameaça STF, Globo, repórteres e diz que pode ter contraído coronavírus

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Publicado quinta-feira, 30 de abril de 2020 as 16:22, por: CdB

Ao anunciar que estava se demitindo do comando do Ministério da Justiça, Sergio Moro acusou Bolsonaro de buscar interferir politicamente na PF e disse que o presidente queria trocar o comando do órgão por ter interesse em inquéritos que tramitam no STF e cuja investigação cabe à Polícia Federal.

Por Redação – de Brasília

Entre as bravatas que costuma disparar, pela manhã, ao deixar o Palácio da Alvorada rumo ao Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, nesta quinta-feira, que a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de conceder a liminar com o impedimento de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal, quase causou uma crise institucional. Questionado pela mídia que, diariamente o aguarda no cercadinho, Bolsonaro se recusou a dar mais detalhes sobre o assunto.

Bolsonaro, em meio à sessão diária de bravatas e xingamentos a jornalistas, na saída do Palácio da Alvorada
Bolsonaro, em meio à sessão diária de bravatas e xingamentos a jornalistas, na saída do Palácio da Alvorada

— (Na véspera) quase tivemos uma crise institucional. Quase, faltou pouco. Eu apelo a todos que respeitem a Constituição. Não vou entrar em detalhes contigo — disse Bolsonaro a um dos repórteres.

‘Política’

O presidente criticou a decisão de Moraes, que atendeu a pedido feito pelo PDT alegando desvio de função na nomeação de Ramagem, que é amigo pessoal da família Bolsonaro, classificando-a de “política”.

— Eu não engoli ainda essa decisão do senhor Alexandre de Moraes. Não engoli! Não é essa a forma de tratar o chefe do Executivo, que não tem uma acusação de corrupção — disparou.

Ao anunciar que estava se demitindo do comando do Ministério da Justiça, Sergio Moro acusou Bolsonaro de buscar interferir politicamente na PF e disse que o presidente queria trocar o comando do órgão por ter interesse em inquéritos que tramitam no STF e cuja investigação cabe à Polícia Federal.

Polícia Federal

Bolsonaro também cobrou de Moraes um posicionamento sobre se Ramagem pode permanecer como diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), posto que ocupava antes da nomeação para o comando da PF e para o qual retornou após o presidente revogar o decreto de nomeação para chefiar a Polícia Federal.

Disse ainda que, se Moraes não se manifestar sobre o tema, permitirá que ele volte a nomear Ramagem para a PF.

— Essa decisão do senhor Alexandre de Moraes, no meu entender, falta um complemento para mostrar que não é uma coisa voltada pessoalmente para o senhor Jair Bolsonaro, falta ele decidir se o Ramagem pode ou não continuar na Abin. É isso que eu espero dele. Ele tem que se posicionar no tocante a isso. Se ele não se posicionar, ele está abrindo a guarda para eu nomear o Ramagem, independentemente da liminar dele — acrescentou.

Contato

Ao contrário da nomeação para a Polícia Federal, a indicação presidencial para chefiar a Abin precisa ser aprovada pelo Senado, após o indicado passar por uma sabatina na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Casa.

— Senhor Alexandre de Moraes, aguardo de vossa excelência uma canetada para tirar o Ramagem da Agência Brasileira de Inteligência, para ser coerente. Estou indo a Porto Alegre agora e espero, ao voltar, vou pedir para um assessor meu entrar em contato com o gabinete do senhor Alexandre de Moraes para ele fazer alguma coisa com o senhor Ramagem, porque se ele não pode ter a confiança para trabalhar na Polícia Federal, também não pode trabalhar na Abin — desafiou.

Ameaça

Outra bravata de Jair Bolsonaro, nesta manhã, foi a ameaça de negar a renovação das concessões públicas para os canais públicos das Organizações Globo. A Rede Globo, chamanda de “lixo”, precisará renovar sua concessão em 2022.

— Vai ter que estar direitinho a contabilidade.

E voltou a afirmar: “Globo, não tem dinheiro para vocês”.

— Essa imprensa lixo chamada Globo. Ou melhor, lixo dá para ser reciclado. Globo nem lixo é, que não pode ser reciclado. Não vou dar dinheiro para vocês. Globo, não tem dinheiro para vocês. Em 2022… Não é ameaça, não. Assim como faço para todo mundo, vai ter que estar direitinho a contabilidade, para que você (Globo) possa ter sua concessão renovada. Se não estiver tudo certo, não renovo a de vocês nem a de ninguém — emendou.

Covid-19

Ainda nesta manhã, Bolsonaro admitiu, pela primeira vez, que “talvez tenha pegado” o novo coronavírus e afirmou que usou nome fantasia para fazer o teste.

— Eu talvez já tenha pegado esse vírus no passado e nem senti — disse, em entrevista à Rádio Gaúcha.

O resultado do teste ainda não foi revelado, embora a juíza Ana Lúcia Petri Betto tenha dado na segunda-feira um prazo de 48 horas para a União entregar os laudos dos exames. Bolsonaro confessou ter usado “nome fantasia” por ser uma pessoa conhecida “para o bem e para o mal”.

— Sou uma pessoa conhecida para o bem ou para o mal. Quando fui medicado, coloquei nome fantasia porque na ponta da linha está um ser humano, não se sabe o que pode ser feito se alguém souber que é Jair Bolsonaro — afirmou.

Relatório

Em resposta à ordem judicial, a Advocacia Geral da União (AGU) enviou à Justiça Federal de São Paulo um relatório médico, datado de 18 de março. O documento atesta que o presidente Jair Bolsonaro encontrava-se ‘assintomático’ e teve resultado negativo para dois testes, realizados no mesmo mês, aos quais o presidente foi submetido.

A AGU, no entanto, entregou apenas esse relatório, e não a cópia dos laudos dos exames, conforme havia sido solicitado pelo veículo  e determinado pela Justiça.

O jornal também informa que, diante do ocorrido, decidiu pedir à Justiça federal uma apuração por descumprimento de ordem judicial.