Bolsonaro, até quando?

Arquivado em: Destaque do Dia, Opinião, Últimas Notícias
Publicado sábado, 30 de janeiro de 2021 as 15:47, por: CdB

A reeleição de Dilma deixou a elite conservadora brasileira em choque. Tudo deveria ser feito para impedi-la de governar. Começou com a contestação do resultado eleitoral por Aécio Neves, com amplo apoio da mídia comercial. Precisamos de um resgate da memória politica para entender a realidade atualmente.

Por Marilza de Melo Foucher – de Paris

Lembram a rapidez do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff? Não cometeu nenhum crime, mas seu impedimento foi orquestrado em tempo recorde pelas forças conservadoras, mídia comercial e judiciário!

A pandemia de covid-19 mostrou de uma vez por todas o despreparo de Jair Bolsonaro em conduzir o país
A pandemia de covid-19 mostrou de uma vez por todas o despreparo de Jair Bolsonaro em conduzir o país

A reeleição de Dilma deixou a elite conservadora brasileira em choque. Tudo deveria ser feito para impedi-la de governar. Começou com a contestação do resultado eleitoral por Aécio Neves, com amplo apoio da mídia comercial. Aliás, esta já vinha dando forte cobertura aos protestos contra o governo desde 2013. A oposição parlamentar e a mídia comercial criaram a narrativa que o Estado havia sido assaltado por quadrilha composta por membros do PT, sindicalistas e movimentos socais, com objetivos de enriquecimento pessoal ilícito. E o PT buscava perpetuar-se no poder. Esta campanha começa a ganhar corpo já em 2013!  Mais do que destituir Dilma Rousseff, o que estava em jogo nas manifestações era “extirpar o mal da política brasileira”, personificado no PT e suas lideranças. 

Enquanto a construção do impeachment avançava, o STF deixava Moro e a operação Lava-Jato desenvolverem uma estratégia de “lawfare”, politizando a justiça e aplicando métodos do estado de exceção. O objetivo era transformar Lula em chefe de quadrilha. O slogan “CorruPTos” imprime à luta política um comportamento pela desconstrução do PT. Esse slogan estará muito presente nos cartazes exibidos nos protestos, amplamente divulgados pela mídia comercial, jornais, radio e televisão.

Extrema-direita

O PT é responsável pela corrupção brasileira! E a rede Globo torna-se a protagonista central da campanha antipetista. A guerra contra a corrupção, pautada pela grande mídia, conectada com a direita neoliberal e a extrema direita foi organizada no contexto de uma estratégia política de destruição do Partido dos Trabalhadores, bem como de sua figura emblemática: Lula.

Paralelamente à queda de Dilma, as forças golpistas articularam a prisão de Lula! Organizaram-se em conjunto para confiscar a democracia em nome da luta contra a corrupção. 

O impedimento de Dilma foi um imbróglio político e jurídico maquiavélico, que abriu um período de instabilidade política no Brasil. Um golpe perfeito, aparentemente constitucional, transmitido ao vivo pela televisão, com cenas de histeria. A direita, extrema-direita e seus aliados, as mídias tradicionais, o mundo dos negócios, os juízes conservadores, a bancada evangélica, as classes hegemônicas organizadas impediram a continuidade de um projeto político de desenvolvimento com inclusão social e soberania nacional.

Judiciário

Um grande acordo nacional leva ao poder o vice-presidente que traiu os compromissos assumidos com o partido dos trabalhadores. O novo Presidente desmantela todos os programas de inclusão social relacionados a direitos humanos, moradia, educação, saúde e trabalho. Esses programas de inclusão social haviam moldado a reputação de Lula e Dilma nacional e  internacionalmente.

Depois de tramarem o impedimento de Dilma Rousseff, tornaram-se propagandistas da prisão de Lula. O resultado dessa razia punitiva de Sergio Moro, apoiada pelo Supremo Tribunal, pelos setores conservadores e midiáticos, abriu caminho para um clima de confrontação e ódio, resultando em uma escalada de violência nunca vista no Brasil. 

Sem dúvida nenhuma quando ativamos a memória política deste período, não podemos isentar a rede Globo, a mídia conservadora, muitos parlamentares e parte dos membros do judiciário. Desencadearam o processo que conduziu à ascensão da extrema-direita no Brasil. A  vitória de Bolsonaro não foi um acaso!

Sarcasmo

Desde que chegou ao poder Bolsonaro vem cometendo atrocidades e ferindo os princípios constitucionais sem ser incomodado na sua insana trajetória fascista. Com a pandemia, o comportamento negacionista de Bolsonaro e de seus seguidores provocou e mantém uma crise sanitária e social sem precedentes no Brasil. As mortes causadas pela inoperância da ação governamental fazem parte de uma drástica realidade. A persistência do governo em negar o perigo do coronavírus provoca um número considerável de mortes que poderiam ter sido  evitadas. O pior é seu sarcasmo diante do drama nacional! 

Existem inúmeras razões para Bolsonaro ser destituído. Daí a indagação: Por que foi tão rápido o processo de destituição de uma Presidente que não cometeu nenhum crime? E hoje, por que não avança o impeachment de um presidente que acumula crimes constitucionais e contra a humanidade? 

Os pulmões de minha Amazônia se asfixiam, os amazonenses choram seus mortos. Eu já perdi muitos amigos e amigas.

Até quando STF, TSE, Congresso nacional serão cúmplices desta insanidade nacional, desta macabra tragicomédia nacional?

Até quando cruzarão os braços diante destes genocidas? 

Marilza de Melo Foucher é economista, jornalista e correspondente do Correio do Brasil, em Paris.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

code