Bolsonaro avalia estrago de possível demissão e segura Bebianno no cargo

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Publicado sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019 as 15:44, por: CdB

Na tarde desta sexta-feira, durante reunião a portas fechadas no Palácio do Planalto, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz comunicaram ao alvo que ele permaneceria no cargo, conforme adiantaram fontes à reportagem do Correio do Brasil.

 

Por Redação – de Brasília

 

Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno (PSL) mandou seus emissários ao superior hierárquico com a ameaça velada de, se caísse, levaria com ele o governo inteiro. Deu certo. Nem foi preciso se reunir com o presidente Jair Bolsonaro.

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Ministro do governo Bolsonaro e ex-presidente do PSL, Bebianno será mantido no cargo, mas processos avançam sobre o laranjal

Na tarde desta sexta-feira, durante reunião a portas fechadas no Palácio do Planalto, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz comunicaram ao alvo que ele permaneceria no cargo, conforme adiantaram fontes à reportagem do Correio do Brasil.

Inquérito

Lorenzoni tentava, desde a eclosão da crise, colocar panos quentes. Na véspera, logo após o colega de ministério ser chamado de mentiroso, em mensagem de Carlos Bolsonaro, reproduzida logo depois em uma rede social do pai, o chefe da Casa Civil pediu calma a todos os envolvidos no escândalo. Nesta tarde, acreditando que o caso está resolvido, classificou o incidente como “um acidente do percurso”.

Os militares que integram o governo também pesaram na decisão de manter Bebianno em seu posto, após severas críticas ao envolvimento dos filhos de Jair Bolsonaro nas decisões de governo. Eles atuaram para garantir a presença de Bebianno no posto, embora o estrago perante a opinião pública tenha ocorrido, em questão de minutos.

A Bebianno, o conselho foi que desaparecesse dos noticiários, nos próximos dias, na tentativa de conter os danos. Os mediadores da crise acreditam que a reforma da Previdência será suficiente para reduzir a exposição do ministro. Mas o inquérito aberto na Polícia Federal tem tudo para trazê-lo de volta aos holofotes.

Desvio

Os primeiros alertas foram divulgados nesta tarde. Presidente nacional do PSL, o deputado federal Luciano Bivar (PE) utilizou R$ 250 mil do fundo eleitoral para contratar a empresa Nox Entretenimentos, de propriedade de Cristiano de Petribu Bivar, um de seus filhos, durante a campanha eleitoral do ano passado. O gasto com a Nox foi o segundo maior da campanha de Bivar nas eleições de 2018.

A contratação da empresa, com sede em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife, é apenas um evento a mais para ser investigado pela Procuradoria Eleitoral de Pernambuco, pois já consta na lista de suspeitos dos promotores. As contas da campanha do PSL foram aprovadas com ressalvas e o procurador Francisco Machado Teixeira destacou a necessidade de uma investigação para apurar o possível desvio de finalidade com a contratação.

“Foram realizadas despesas com fornecedores de campanha que possuem relação de parentesco com o prestador de contas, o que pode indicar desvio de finalidade. O Ministério Público Eleitoral informa que extrairá cópia dos autos para investigação dos fatos”, frisa a Procuradoria.

Legalizado

Tais suspeitas quanto à empresa do filho de Bivar apenas adiciona combustível na crise política do governo Bolsonaro, alvo que é de denúncias por suposto uso de recursos do fundo eleitoral público na estruturação de um esquema fraudulento para desviar dinheiro público por intermédio das candidaturas forjadas em Pernambuco e Minas Gerais, entre outros Estados do país, ainda sob investigação.

A assinatura nos processos sob suspeita, no entanto, é do então presidente do partido, Gustavo Bebianno. Durante o período eleitoral, a Nox teria sido contratada para produzir vídeos para a campanha de Bivar.

Em nota, Bivar alega que a contratação da empresa Nox se “deveu ao fato de ela ter oferecido o menor preço para produzir os vídeos da campanha” e que está “tudo perfeitamente legalizado”.

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