Bolsonaro, chamado de ‘quadrilheiro’, enfrenta crise na ultradireita

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Publicado terça-feira, 12 de janeiro de 2021 as 16:44, por: CdB

Nas próximas 24 horas, cada um dos casos denunciados seguirá à análise do Conselho de Ética do partido, que poderá até decidir pela expulsão do parlamentar denunciado por traição, ao apoiar o candidato de Bolsonaro à Presidência da Câmara, deputado Arthur Lira (Progressistas-AL).

Por Redação – de Brasília

Embora tenha deixado a legenda, no ano passado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se vê, agora, dependente da traição dos parlamentares do PSL para eleger seu candidato à Presidência da Câmara dos Deputados, o deputado Arthur Lira (Prograssistas-AL). A Executiva Nacional da agremiação partidária, no entanto, decidiu, por unanimidade, em favor das representações apresentadas pelo deputado Júnior Bozzella contra colegas que declararam apoio a Lira.

O presidente Jair Bolsonaro não está jogando todas as suas fichas nesse processo à toa
O presidente Jair Bolsonaro não está jogando todas as suas fichas nesse processo à toa

Nas próximas 24 horas, cada um dos casos denunciados seguirá à análise do Conselho de Ética do partido, que poderá até decidir pela expulsão do parlamentar denunciado.

— Não expulsá-los é passar atestado de boa conduta para quem é infrator. Essa é a minha opinião. Acredito que, pelo fato de as representações terem sido acatadas por unanimidade pela executiva, a expulsão é uma tendência natural. São deputados reincidentes — Bozzela ao site de ultradireita O Antagonista.

“A representação envolve 20 dos 32 deputados da legenda que assinaram uma lista tentando tirar o PSL do bloco de Baleia Rossi (MDB), adversário de Lira. Os 20 representados são: Alê Silva, Aline Sleutjes, Bia Kicis, Bibo Nunes, Carla Zambelli, Carlos Jordy, Caroline de Toni, Chris Tonietto, Coronel Tadeu, Daniel Silveira, Eduardo Bolsonaro, Filipe Barros, General Girão, Guiga Peixoto, Hélio Lopes, Junio Amaral, Major Fabiana, Márcio Labre, Sanderson e Vitor Hugo”, acrescenta a publicação.

‘Rachadinha’

Na visão do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), partidário do presidente durante a campanha eleitoral de 2018 e hoje um aparente adversário dele e de seus filhos, espelha a dificuldade do mandatário neofascista junto à extrema direita que o elegeu, a exemplo do que encara, hoje, no PSL. Segundo Kataguiri, Bolsonaro não passa de um “corrupto, vagabundo e quadrilheiro”.

— Todo mundo sabe que o esquema de rachadinha do Flávio Bolsonaro é uma franquia familiar — denuncia o deputado ao site de ultradireita.

Ele lembrou, ainda, que o presidente até hoje não explicou “de onde surgiram e para onde foram ” os R$ 89 mil depositados por Fabrício Queiroz e Márcia Aguiar na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

— Bolsonaro, dentro do próprio gabinete e do gabinete dos filhos, sempre indicou todo mundo. É ele que mandava nos gabinetes dos filhos, todo mundo sabe disso. Queiroz é amigo ‘de infância’ do Bolsonaro, não do Flávio. É indicação do Bolsonaro, não do Flávio — continuou.

Tomar pau

Na entrevista, o parlamentar também cita dois momentos em que Bolsonaro diz, de forma expressa, aos filhos Flávio e Eduardo que o responsável pelas suas carreiras políticas é ele próprio.

— Essa postura do Bolsonaro, de ser dono dos mandatos dos filhos, todo mundo já sabe. O esquema de rachadinha é de Jair Bolsonaro. Flávio é o laranja do Bolsonaro — denunciou Kataguiri.

Apesar da gravidade das denúncia, segundo o deputado, Bolsonaro “não tem coragem” de processá-lo, nem de determinar que o Ministério da Justiça abra uma investigação contra ele “porque sabe que perderia”.

— Se ele for para o tribunal contra mim, ele vai tomar pau. Eu desafio, já desafiei várias vezes, continuo desafiando, não me canso de desafiar: Bolsonaro é vagabundo, corrupto e quadrilheiro. Se for para provar o contrário, venha e me processe — concluiu.