Bolsonaro contribui para a disseminação do vírus, afirmam senadores

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Publicado sexta-feira, 7 de maio de 2021 as 14:33, por: CdB

Segundo os parlamentares, Bolsonaro age com intenção objetiva de disseminar a covid-19 até que seja atingida a imunidade de rebanho, uma tese dúbia, do ponto de vista científico, criticada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para os senadores petistas que integram a CPI Rogério Carvalho (SE) e Humberto Costa, a responsabilidade de Bolsonaro está patente.

Por Redação, com RBA e ACSs – de Brasília

A cada depoimento, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, fica mais evidente a impressão digital do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no crescimento exponencial da pandemia, no país. Para os senadores petistas que integram a CPI Rogério Carvalho (SE) e Humberto Costa, a responsabilidade do presidente na difusão do vírus SarsCov2 está patente.

Líderes da CPI da Covid, da esq. p/ dir., os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente; Omar Aziz (OSD-AM), presidente; e Renan Calheiros (MDB-AL), relator; além do representante da oposição, Humberto Mota (PT-PE)

Segundo os parlamentares, Bolsonaro age com intenção objetiva de disseminar a covid-19 até que seja atingida a imunidade de rebanho, uma tese dúbia, do ponto de vista científico e altamente criticada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda na fase inicial dos depoimentos, depuseram até agora os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich; além do atual ministro da pasta, Marcelo Queiroga.

Carvalho sublinhou que o presidente defende remédios sem eficácia, incentiva aglomerações, veta o uso de máscaras para proteção contra o vírus e não realiza qualquer esforço para a aquisição das vacinas para imunizar a população. O senador acrescentou que Bolsonaro continua a atrapalhar a entrega de insumos ao país por conta de acusações à China e segue a combater o isolamento social, necessário para conter a pandemia.

Wajngarten

Na próxima semana, a CPI vai ouvir o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, cujo depoimento estava marcado para esta quinta-feira, mas foi transferido para a próxima terça-feira. Na próxima quarta-feira, será ouvido o advogado Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social do governo. A CPI ouvirá ainda, na quinta-feira, o ex-chanceler Ernesto Araújo e representantes do laboratório Pfizer.

Na opinião do senador Humberto Costa, a primeira semana de CPI foi “muito boa”. Para ele, os depoimentos dos ex-ministros da Saúde mostraram que, na prática, Bolsonaro tentava mudar as orientações técnicas de enfrentamento à pandemia, ignorando princípios científicos adotados ao redor do mundo.

— O tempo inteiro os depoentes corroboraram a visão de que Bolsonaro atuou intencionalmente para que houvesse uma transmissão ampla do vírus, para que fosse atingida o que se chama de imunidade coletiva de rebanho. Isso, na prática, é um grande crime, se for verdade, pois ele assumiu o risco de muita gente morrer, o que efetivamente aconteceu — lamentou.

Vacinas

Quanto aos próximos convocados, Humberto Costa adianta que o depoimento do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo se justifica pelo fato de ele ter tido um papel importante na criação de dificuldades para a negociação de vacinas contra a covid-19. Rogério Carvalho também destacou a convocação do ex-chanceler.

De acordo com o senador sergipano, Araújo tem muito a esclarecer sobre o que não fez e porque não se mobilizou para salvar vidas, com parcerias internacionais e busca de tecnologia, fechando as portas em várias partes do mundo que poderiam estar ajudando o país neste momento.

— Se a CPI focar no crime contra a vida que vem sendo cometido, a gente vai chegar à responsabilização de agentes públicos da República, que agiram para garantir a expansão da pandemia e não pelo seu controle — afirmou Carvalho.

Impacto

Para o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), a oitiva de Araújo é relevante. Ele disse que é importante ouvir o ex-ministro para entender o relacionamento do Brasil com outros países que são grandes fornecedores de insumos ou de vacinas já prontas.

Segundo Vieira, as decisões da pasta tiveram um impacto claro na baixa disponibilidade de vacinas para os brasileiros. Também para Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o ex-ministro Ernesto Araújo tem responsabilidade direta na política de aquisição internacional de vacinas.

— Hoje temos apenas 7% dos brasileiros vacinados. Esse atraso me parece ter uma responsabilidade direta do MRE durante a gestão do ex-chanceler — concluiu.

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