Bolsonaro e Lula, faces opostas da mesma moeda, encontram-se nas urnas

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Publicado segunda-feira, 23 de dezembro de 2019 as 15:03, por: CdB

A afirmação de Bolsonaro, no entanto, ocorre no momento em que ele declina, rapidamente, nas pesquisas de popularidade. 

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

Em outra de suas declarações sem qualquer base factual, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, nesta segunda-feira em uma entrevista, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria “carta fora do baralho” nas eleições de 2022. Uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá considerar nula a sentença do juiz Sérgio Moro, no entanto, tende a recolocar o líder petista de volta à corrida presidencial.

Maioria dos brasileiros ainda reprova o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas quem o aprova são os ricos, brancos e ultrarreligiosos
Maioria dos brasileiros ainda reprova o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas quem o aprova são os ricos, brancos e ultrarreligiosos

A afirmação de Bolsonaro, no entanto, ocorre no momento em que ele declina, rapidamente, nas pesquisas de popularidade. Numa tentativa de “comprovar” o que seria a “baixa popularidade de Lula”, Bolsonaro usa dados sem qualquer embasamento.

— Quando eu andava pelo Brasil na pré-campanha era recebido em aeroportos por milhares de pessoas. Agora o Lula nas suas poucas andanças é criticado e vaiado — disse Bolsonaro.

Bolsonaro também acredita que o adversário, mesmo se permanecer impedido de concorrer mais uma vez ao Planalto, não seria capaz de transferir votos para outro candidato.

— Ele não é cabo eleitoral para mais ninguém. Eu acredito que o Lula já é uma carta fora do baralho — disse.

Pesquisa

Para a maioria da população, no entanto, Bolsonaro não é um bom governante, nem merece a confiança dos brasileiros. E, para 42% dos eleitores, o governo Jair Bolsonaro teve um desempenho ruim ou péssimo ao lidar com o vazamento de óleo que atinge o litoral do país, desde o fim de agosto. No Nordeste, região mais afetada pelas manchas de óleo e onde Bolsonaro é rejeitado por mais de 60% dos eleitores, a avaliação negativa é ainda maior. Metade da população nordestina considera ruim ou péssimo o desempenho de Bolsonaro em relação à crise.

Se juntar o prestígio em declínio do atual mandatário e a informação veiculada nesta segunda-feira, por analistas políticos de Brasília, nas redes sociais, Bolsonaro enfrentará Lula em um páreo duro, nas próximas eleições. Colunistas disseram, nesta segunda-feira, que “confidentes de alguns dos cinco ministros que integram a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal acreditam que o colegiado anulará a sentença do ex-juiz Sérgio Moro que condenou o ex-presidente Lula no caso do tríplex do Guarujá”.

Por ora, segundo redatores, o placar estaria em 2 votos contra 2 a favor e quem “deverá definir a parada a favor de Lula será o ministro Celso de Mello”. Não com base no material divulgado pelo site The Intercept Brasil, mas com base no vazamento ilegal autorizado por Moro da gravação da conversa telefônica entre Lula e a então presidente Dilma Rousseff.

Se a sentença de Moro for anulada, Lula recuperará a condição de votar e ser votado e o caso do tríplex voltará aos seus estágios iniciais.

Juntos

Embora sejam as duas faces da mesma moeda política, no entanto, Bolsonaro e Lula parecem se ajudar nas redes sociais, ainda que involuntariamente. Quando um melhora sua popularidade virtual, o outro sobe. E também caem juntos, constata a consultoria Quaest, que analisa a popularidade de figuras públicas no Facebook, Twitter e Instagram.

A consultoria criou índice que avalia a fama desses personagens (quantos seguidores), engajamento (comentários por postagem), mobilização (compartilhamento das postagens) e valência (reações positivas/negativas às postagens). Considera também em quantas redes sociais a pessoa está ativa.

Um modelo estatístico, então, pondera e calcula a importância de cada dimensão.
Bolsonaro e Lula tiveram um movimento semelhante de sobe/desce na popularidade individual nos últimos meses —ainda que o atual presidente esteja sempre consideravelmente à frente do petista.

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