Bolsonaro e a mulher dele divulgam notícias falsas, diz relatório da PF

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Publicado domingo, 6 de junho de 2021 as 16:39, por: CdB

Bolsonaro também aparece como um dos políticos que geraram mais engajamento ao fazer postagens sobre outros medicamentos sem eficácia comprovada, como a ivermectina (157 mil interações), azitromicina (750 mil) e nitazoxanida (231 mil).

Por Redação – de Brasília

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) está no topo do ranking global daqueles que disseminam notícias falsas, nas redes sociais, sobre a aplicação da substância cloroquina, sem qualquer eficácia científica comprovada contra a covid-19 e de uso banido pelas autoridades de saúde. O dado, que consta de análise feita por meio da ferramenta digital CrowdTangle, foi divulgado neste domingo.

Michelle e Bolsonaro constam no topo da lista de disseminadores de notícias falsas, diz relatório da PF

O estudo revela, ainda, que as mensagens deixadas por Bolsonaro sobre o assunto desde o início da pandemia geraram cerca de 11 milhões de interações e 1,7 milhão de compartilhamentos. Até março deste ano, considerando os 100 textos no Facebook com mais interações sobre cloroquina desde o início da crise sanitária, Bolsonaro foi o autor de 42 deles, quatro em cada dez.

Cloroquina

O mandatário neofascista brasileiro passou a frente do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que registra 1,1 milhão de interações, e até da Organização Mundial da Saúde (OMS), com 491 mil. A disseminação de informações falsas sobre o uso da cloroquina, no entanto, não é exclusividade de Bolsonaro.

Segundo o relatório da organização internacional, as redes sociais de parlamentares brasileiros publicaram quase 4,5 mil textos com os termos “cloroquina” e “hidroxicloroquina” (um derivado da droga) desde março de 2020. As mensagens geraram 43 milhões de interações.

Entre os 100 posts mais populares da lista, diz o relatório, 96 foram postados por integrantes da base governista, três de um deputado independente e apenas um foi feito por um deputado de oposição. Nesse ponto, o ranking é liderado pela deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (3,6 milhões de interações) e Eduardo e Flávio Bolsonaro (850 mil e 379 mil), filhos do presidente.

Contas removidas

Bolsonaro também aparece como um dos políticos que geraram mais engajamento ao fazer postagens sobre outros medicamentos sem eficácia comprovada, como a ivermectina (157 mil interações), azitromicina (750 mil) e nitazoxanida (231 mil).

Ao longo desta semana, a CPI da Covid ampliará a investigação sobre a existência de um “gabinete paralelo” que assessorou Bolsonaro no enfrentamento à pandemia  e incentivou o uso da cloroquina, por meio do Kit Covid”.

Entre as contas de apoio a Jair Bolsonaro que contêm notícias falsas, desta vez sobre temas diferentes da propaganda sobre a cloroquina, aquelas removidas pelo Facebook em julho de 2020 por ações “inautênticas”, foram acessadas pela internet de diversos órgãos públicos. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, foi identificada como provedora da internet pela qual foi acessado o perfil ‘Bolsonaro News’ e o perfil de Tercio Arnaud Thomaz, assessor de Bolsonaro, amplos divulgadores de notícias falsas.

Investigações

Os pontos de acesso e disseminação das fake news concentram-se, segundo relatório da Polícia Federal (PF) divulgado neste domingo, na Presidência da República, na Câmara dos Deputados, Senado Federal e Comando da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea do Exército. Na véspera, de acordo com denúncia divulgada na mídia conservadora, o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos agiu na tentativa de derrubar prefeitos e governadores.

A PF, analisando parte dos perfis apontados como falsos, também conseguiu identificar assinantes de redes privadas das quais partiram 844 acessos às contas de apoio a Bolsonaro, incluindo uma provedora ligada à primeira-dama Michelle Bolsonaro. As descobertas foram feitas no escopo da investigação dos atos antidemocráticos realizados em 2020.

O Facebook afirma que a remoção das contas está ‘em consonância com as medidas previstas para a seguinte tipologia estabelecida pela empresa’: “operações executadas por um governo para atingir seus próprios cidadãos. Isso pode ser particularmente preocupante quando combinam técnicas enganosas com o poder de um Estado”.

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