Bolsonaro nega ligação com candidaturas-laranjas

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado segunda-feira, 7 de outubro de 2019 as 12:20, por: CdB

Na saída do Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro criticou a imprensa e chamou o diário conservador paulistano de “esgoto”.

Por Redação, com Reuters e Agências de Notícias – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro voltou a negar nesta segunda-feira ter qualquer ligação com as suspeitas de candidaturas-laranjas de seu partido, o PSL, em Minas Gerais, e acusou a imprensa de querer derrubá-lo com mentiras e distorções.

Jair Bolsonaro classificou de “patifaria” e “covardia” uma reportagem do jornal Correio Braziliense
Jair Bolsonaro classificou de “patifaria” e “covardia” uma reportagem do jornal Correio Braziliense

Após cumprimentar apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro se direcionou a jornalistas que estavam no local e criticou a imprensa, chamando de “patifaria” e “covardia” uma reportagem do diário conservador brasiliense Correio Braziliense Correio Braziliense segundo a qual o governo estuda acabar com a estabilidade dos servidores federais como parte de uma nova reforma administrativa.

– Nunca falei nesse assunto, isso é querer jogar o servidor contra mim – disse Bolsonaro, de acordo com vídeo de um apoiador do presidente disponível no YouTube.

– Como ontem a Folha de S.Paulo querer me ligar ao problema de Minas Gerais. É um esgoto a Folha de S.Paulo. Lamento a imprensa brasileira agir dessa maneira, o tempo todo mentindo, distorcendo, me difamando. Vocês querem me derrubar? Eu tenho couro duro, vai ser difícil – acrescentou.

Na sexta-feira, o Ministério Público estadual de Minas Gerais ofereceu denúncia contra o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, em uma investigação em que ele é alvo sobre uso de candidaturas-laranjas do PSL no Estado nas eleições passadas.

A acusação tem como base o indiciamento feito pela Polícia Federal do ministro do Turismo. Antônio presidiu o diretório mineiro do PSL e é suspeito de envolvimento na escolha de candidaturas de fachada com o objetivo de desviar recursos públicos do fundo eleitoral.

A defesa de Marcelo Álvaro Antônio afirmou em nota que, “embora o ministro tenha ocupado a posição de presidente do partido, ele não exerceu qualquer ato relacionado ao objeto das apurações”.

“E apesar de ter sido profundamente investigado durante esses oito meses de inquérito instaurado não há um depoimento ou prova sequer que demonstre qualquer ilícito imputável ao Ministro”, declarou o advogado Willer Tomaz, na nota.

Bolsonaro ja tinha negado envolvimento no domingo com o caso das supostas candidaturas-laranjas do PSL em Minas Gerais, em uma publicação no Twitter em que também criticou o jornal.

O presidente disse que sua campanha não usou dinheiro do fundo partidário. Também no domingo, Bolsonaro recebeu o apoio do ministro da Justiça, Sergio Moro, que afirmou, por meio da rede social, que nada foi observado contra Bolsonaro nas investigações do caso.

Reportagem do diário paulista conservador Folha de S. Paulo deste domingo aponta que o depoimento de um ex-assessor parlamentar do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e uma planilha apreendida em uma gráfica sugerem o desvio de recursos do esquema de candidaturas laranjas do PSL em Minas Gerais para as campanhas de Jair Bolsonaro à presidência da República e de Marcelo Álvaro a deputado federal. A prática configuraria caixa 2, movimentação de recursos de campanha sem declaração oficial à Justiça.

O assessor parlamentar do ministro e coordenador de sua campanha no Vale do Rio Doce (MG), Haissander Souza de Paula, disse à Polícia Federal que “acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”. Uma planilha apreendida pela PF, intitulada “MarceloAlvaro.xlsx”, se refere ao fornecimento de material eleitoral para a campanha de Bolsonaro com o termo “out”. Para os investigadores, a utilização da palavra em inglês significaria pagamento “por fora”.

Na última sexta-feira, o ministro foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais acusado dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa. Ele nega qualquer irregularidade.

O ex-assessor foi preso por cinco dias no final de junho. Em seu depoimento, Haissander afirma ainda que Lilian Bernardino, uma das quatro candidatas laranjas do PSL em Minas Gerais, não gastou os R$ 65 mil recebidos formalmente. Candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa do estado, ela obteve apenas 196 votos. As quatro candidatas juntas receberam R$ 279 mil em recursos públicos do partido, mas não houve evidências de que tenham de fato realizado campanha.

Reportagem irritou General Heleno

O chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Augusto Heleno, usou sua conta no Twitter, neste domingo, para criticar a reportagem do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo sobre o uso de recursos das candidaturas-laranjas do PSL para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro.

“1ª pág da Folha de São Pravda. Um ex-assessor de Álvaro Antônio disse à Polícia que “ACHA QUE PARTE DOS VALORES […] FOI USADA PARA PAGAR MATERIAL DE CAMPANHA DE ÁLVARO ANTÔNIO E BOLSONARO”. Pode haver matéria mais cretina, inconsistente e parcial? Que vergonha!”, escreveu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *