Bolsonaro sofre nova derrota na PF com superintendente do Rio

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Publicado quarta-feira, 6 de maio de 2020 as 14:53, por: CdB

Prevaleceu, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, a opinião dos quadros da PF, incomodados com tamanha publicidade sobre a polícia judiciária. O novo superintendente não tem qualquer ligação com a família do presidente e é dono de uma carreira irretocável, do ponto de vista ético.

Por Redação – do Rio de Janeiro

Diretor-geral da Polícia Federal (PF), Rolando de Souza nomeou o delegado Tácio Muzzi para a Superintendência do Rio de Janeiro, em mais uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no segmento. O nome do policial não constava entre os indicados do mandatário neofascista.

O delegado Tácio Muzzi foi indicado à Superintendência da Polícia Federal, no Estado do Rio
O delegado Tácio Muzzi, embora não estivesse na lista de Bolsonaro, foi indicado à Superintendência da Polícia Federal, no Estado do Rio

Prevaleceu, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, a opinião dos quadros da PF, incomodados com tamanha publicidade sobre a polícia judiciária. O novo superintendente não tem qualquer ligação com a família do presidente e é dono de uma carreira irretocável, do ponto de vista ético. Muzzi conta, ainda, com o apoio do ex-ocupante da cadeira, Carlos Henrique Oliveira, promovido ao cargo de diretor-executivo da PF.

Tácio Muzzi era o Delegado Regional Executivo da PF do Rio e já atuou interinamente na superintendência da corporação fluminense, durante crise na corporação no ano passado. Ele chefiou a Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros no Rio; foi coordenador da Lava Jato no Estado e acumula passagem pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

No comando

Muzzi chefiou a PF do Rio como interino em 2019 após crise envolvendo o antecessor de Oliveira no comando da corporação, o delegado Ricardo Saadi. Em agosto do ano passado, Bolsonaro tentou trocar o superintendente da corporação fluminense pela primeira vez e acabou gerando atrito com então ministro Sérgio Moro e o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo.

O delegado ainda chefiou a Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros (DELECOR) no Rio e foi coordenador da Lava Jato no Estado, tendo atuado nas operações que culminaram na prisão do ex-governador Sergio Cabral e do empresário Eike Batista, informou a Assessoria de Imprensa da PF.

Doutor em Direito Empresarial pela Universidade Federal de Minas, Muzzi ainda atuou entre 2017 e 2018 (governo Temer) como Diretor-Geral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e Diretor-adjunto do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), órgãos ligados ao MJSP.

Clã Bolsonaro

O delegado tem uma larga experiência e a fama entre seus pares de competente e honesto.

Muzzi vai a vaga deixada por Oliveira, que será o número dois do novo diretor geral, Rolando Alexandre de Souza. Um dos primeiros atos do novo chefe da PF, após sua posse nesta segunda, 4, em cerimônia a portas fechadas e não divulgada que durou 20 minutos, foi trocar o comando da superintendência da corporação no Rio. A promoção de Oliveira foi vista por delegados como uma forma ‘estratégica’ de mudar o comando da PF fluminense.

A troca da superintendência, área de interesse do presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, chegou até a entrar no radar dos investigadores que apuram suposta interferência do chefe do executivo na corporação. A decisão de Rolando é argumento em ação que pede a suspensão imediata de sua nomeação.

Ao anunciar sua saída do governo Jair Bolsonaro, Moro acusou o presidente de suposta interferência política na PF envolvendo trocas na Diretoria-Geral e em superintendências regionais da corporação.

Depoimento

O problema é que nas conversas com o presidente e isso ele me disse expressamente, que o problema não é só a troca do diretor-geral. Haveria intenção de trocar superintendentes, novamente o do Rio, outros provavelmente viriam em seguida, como o de Pernambuco, sem que fosse me apresentado uma razão para realizar esses tipos de substituições que fossem aceitáveis”, disse Moro, ao pedir demissão do governo.

No último sábado, em longo depoimento que prestou na Polícia Federal em Curitiba, Moro disse que recebeu mensagem pelo aplicativo WhatsApp do Presidente da República, cobrando a substituição do Superintendente do Rio de Janeiro. O ex-ministro relatou que a mensagem tinha, mais ou menos o seguinte teor: “Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”.

“A indicação do dr Tácio Muzzi para assumir a superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro é positiva, diante de todo seu histórico, inclusive nesse Estado. Esperamos que avance no Congresso Nacional emenda à Constituição para mandato do Diretor-Geral da PF e para autonomia da instituição, inclusive com apoio dos novos gestores do órgão”, afirmou o ex-juiz.