Bolsonaro ofende os chineses e lambe botas dos EUA, em meio à pandemia

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Publicado segunda-feira, 6 de abril de 2020 as 12:57, por: CdB

Em resposta imediata à agressão gratuita do ministro Weintraub, a Embaixada da China no Brasil divulgou, nesta manhã, nota em sua conta no Twitter em que afirma repudiar e classifica de “racista” publicação feita na mesma rede social pelo ministro da Educação.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

Enquanto o governo do presidente Jair Bolsonaro faz piadas racistas com os chineses, a exemplo da mensagem publicada por Abraham Weintraub, ministro da Educação, o próprio mandatário neofascista faz questão de romper com o isolamento social para receber, em ambiente fechado, o embaixador recém-nomeado dos EUA, Todd Chapman, para lhe dar “boas-vindas”, justificou-se. A atitude causou espécie junto ao meio diplomático.

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Bolsonaro chega à situação limite de seu mandato, com críticas por todos os lados e aferrado ao ‘Gabinete do Ódio’

Em resposta imediata à agressão gratuita do ministro Weintraub, a Embaixada da China no Brasil divulgou, nesta manhã, nota em sua conta no Twitter em que afirma repudiar e classifica de “racista” publicação feita na mesma rede social pelo ministro da Educação. Ele ridiculariza o sotaque de chineses falando português ao lado de uma imagem da capa de um gibi da Turma da Mônica sobre o país asiático. No texto, o ministro escreve como o personagem Cebolinha, que troca a letra R pela letra L, e ironiza os chineses.

“Geopolíticamente, quem podeLá saiL foLtalecido, em teLmos Lelativos, dessa cLise mundial? PodeLia seL o Cebolinha? Quem são os aliados no BLasil do plano infalível do Cebolinha paLa dominaL o mundo? SeLia o Cascão ou há mais amiguinhos?”, ironizou Weintraub em publicação feita no fim de semana.

Desprezível

Na resposta, a embaixada da China, país que é o principal parceiro comercial do Brasil e onde foi detectado o novo coronavírus, disse ainda que as declarações do ministro são “completamente absurdas e desprezíveis” e “têm cunho fortemente racista e objetivos indizíveis, tendo causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China-Brasil”.

“O lado chinês manifesta forte indignação e repúdio a esse tipo de atitude”, afirma a nota desta segunda-feira. “A maior urgência neste momento é unir todos os países numa proativa cooperação internacional para acabar com a pandemia com a maior brevidade, com vistas a salvaguardar a saúde pública mundial e o bem-estar da humanidade.”

Além de ser maior parceira comercial do Brasil, a China também concentra a esmagadora maioria da produção mundial de equipamentos de proteção mundial para deter o vírus, como máscaras, respiradores, produtos essenciais no tratamento de casos graves acometidos pela Covid-19, doença causada pelo coronavírus.

Pandemia

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já admitiu dificuldade para comprar respiradores e outros insumos necessários no combate à doença.

A embaixada da China havia reagido anteriormente a comentários no Twitter do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Bolsonaro e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, que responsabilizou o país asiático pela pandemia de coronavírus.

Após esse episódio, Bolsonaro teve uma conversa por telefone com o presidente da China, Xi Jinping, e afirmou que, na ocasião, reforçou “laços de amizade” entre os dois países.

‘Lambe-botas’

Em um gesto ao recém-chegado embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, o presidente Jair Bolsonaro decidiu receber nesta segunda-feira, em meio à epidemia de coronavírus, as cartas credenciais de 10 embaixadores recém-chegados ao Brasil. Uma atitude própria de “lambe-botas”, comentou um diplomata com a reportagem do Correio do Brasil, por telefone, em condição de anonimato.

Em linha com o comentário, a decisão causou constrangimento nos meios diplomáticos, segundo relatos feitos à agência inglesa de notícias Reuters por duas outras fontes que acompanharam a decisão.

Boas-vindas

A ideia, apresentada a Bolsonaro pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de fazer uma cerimônia regular – em que os embaixadores sobem a rampa e são recebidos pelo presidente em um dos salões do segundo andar do Planalto – acabou sendo trocada por audiências individuais depois da reação das embaixadas.

Chapman chegou ao Brasil há uma semana. De acordo com as fontes ouvidas pela agência inglesa de notícias Reuters, a ideia de Bolsonaro e Araújo era de fazer “um gesto de boas-vindas” ao novo embaixador dos Estados Unidos – a embaixada estava sem titular desde 2018 – e, para não receber apenas o norte-americano, estender o convite aos demais.

A ideia da cerimônia, que seria no final da manhã desta segunda, foi abortada depois que os corpos diplomáticos fizeram chegar ao Itamaraty que talvez a ideia de uma aglomeração não fosse conveniente nesse momento.

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