Bolsonaro parte para o ‘já ganhou’ mas candidatura vacila no Judiciário

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Publicado quarta-feira, 17 de outubro de 2018 as 15:23, por: CdB

Candidato neofascista à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL) diz que está com ‘a mão na faixa presidencial’, mas campanha de notícias falsas poderá impedi-lo.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira que já está com a mão na faixa presidencial; uma vez que o adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, Fernando Haddad (PT), não conseguirá, segundo afirmou, reverter a desvantagem apontada pelas pesquisas até o dia do segundo turno da eleição presidencial. A posição vantajosa na corrida eleitoral, no entanto, é questionada por se basear em notícias falsas, disseminadas há anos, pelas redes sociais.

Bolsonaro diz que já ganhou as eleições porque Haddad está muito distante na pesquisa
Bolsonaro diz que já ganhou as eleições porque Haddad está muito distante na pesquisa

Falando a jornalistas, após visitar a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, porém, Bolsonaro diz que o PT e Haddad estão “apavorados” e “perdidos”. A ação apresentada pela coligação do petista, nesta quarta-feira, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que questiona as notícias falsas, afirmou, confirma o desespero do adversário.

Líder das pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro desconversou quando questionado sobre possível presença em debates na televisão, afirmando que aguarda avaliação na quinta-feira dos médicos responsáveis por seu tratamento após ter sido esfaqueado em um ato de campanha em Juiz de Fora (MG) no mês passado.

Desinformação

O relator especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Edison Lanza, no entanto, questiona a validade da campanha realizada por Bolsonaro. Ele disse, nesta manhã, que nas campanhas políticas desenvolvidas no Brasil, entre diferentes candidatos à Presidência da República, houve “desinformações deliberadas”, a exemplo do caso conhecido como ‘Kit Gay’, uma mentira disseminada há anos pela campanha neofascista.

— A informação que temos é que no Brasil houve muito movimento de desinformação deliberada, alguns com formatos jornalísticos falsos e outras com formatos mais difíceis de classicar como memes, notícias em formatos simplistas e outros tipos — afirmou.

Lanza fez estas declarações durante a conferência internacional “Desinformação na era digital e seu impacto na liberdade de expressão e os processos eleitorais da região” que aconteceu em Montevidéu, capital do Uruguai. O relator armou que as notícias falsas (fake news) representam um fenômeno “muito novo”, com poucos anos de descoberta, por isso, acredita ser “difícil” avaliar o impacto que elas têm na sociedade.

— No Brasil, o fenômeno surgiu com muita força. Algumas dessas informações são notícias que a imprensa descobriu, desmascarando as equipes de campanha. Outras, as próprias plataformas indicaram e começaram a tomar medidas — explicou.

‘Cobertura crítica’

Estados Unidos e Reino Unido Para o diplomata uruguaio, estas estratégias tiveram notoriedade dentro das campanhas eleitorais dos Estados Unidos, Brexit, no Reino Unido, a campanha pela paz da Colômbia e nas últimas eleições presidenciais do México.

— Quando uma decisão pode ser influenciada por um fluxo de informações falsas sobre um candidato ou partido e, acima de tudo, com as ferramentas tecnológicas que hoje permitem a viralização, tem-se um fenômeno muito perigoso — disse.

Alguns dos pontos que a CIDH recomenda para evitar este tipo de informações são “sistemas efetivos” de autorregulação e prestação de contas que jornalistas e veículos de imprensa devem colocar em prática. Também se deve atuar em função da retificação e direito de resposta diante das informações incorretas, assim como oferecer uma “cobertura crítica” da desinformação, propaganda e notícias falsas.

A CIDH também recomenda a capacitação dos jornalistas em tecnologia da informação e que se promova o jornalismo investigativo. Nesse contexto, Lanza disse que a América Latina passa por um “momento muito complicado”, quanto ao respeito à liberdade de expressão em alguns países como Honduras, Guatemala, México, Nicarágua e Venezuela, onde casos de repressão e prisão de jornalistas foram registrados nos últimos anos

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