Ex-capitão questiona hierarquia e diz que manda em general

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Publicado segunda-feira, 15 de outubro de 2018 as 16:28, por: CdB

Não é a primeira vez, todavia, que o candidato da extrema direita ressalta que caberá a ele tomar as decisões estratégicas para o país.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro visitou, na manhã desta segunda-feira, a sede do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Em tom de brincadeira, após tomar a iniciativa de prestar continência ao tenente-coronel Alex Benevenuto Santos, comandante da força especial da PM, o que caberia ao subordinado frente ao superior, Bolsonaro diz que, se ele ganhar a disputa, “quem vai mandar no Brasil serão os capitães”.

A divisão no comitê de Bolsonaro ficou evidente na exposição do boneco de Hamilton Mourão, general e candidato a vice, mas com a faixa presidencial
A divisão no comitê de Bolsonaro ficou evidente na exposição do boneco de Hamilton Mourão, general e candidato a vice, mas com a faixa presidencial

Não é a primeira vez, todavia, que o candidato de extrema direita ressalta que, embora esteja em uma posição inferior, hierarquicamente, diante de seu companheiro de chapa, o general Hamilton Mourão, hoje na reserva do Exército, caberá a ele tomar as decisões estratégicas para o país se passar pelo crivo das urnas, no segundo turno destas eleições. Há controvérsias, no entanto, uma vez que Mourão já declarou sua independência de pensamento e apreço à organização militar.

Continência

Bolsonaro chegou ao quartel, em Laranjeiras, na Zona Sul da capital fluminense, ao lado de assessores. Por volta do meio-dia, um vídeo foi divulgado pela assessoria do candidato. Nas imagens, Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, aparece dentro do quartel, no centro, cercado por policiais. Os homens do Bope são chamados de “caveira”. Ele posou para fotos ao lado dos policiais e fez um breve discurso para a tropa.

— Nós temos a segunda maior bancada em Brasília e isso vem de gente como vocês. Temos que acreditar e tentar mudar, buscar fazer a coisa certa. Isso é possível, afinal de contas não temos outro caminho — afirmou.

Ao final, Bolsonaro encerrou o discurso gritando “caveira”. Ao prestar continência ao comandante do Bope, o candidato disse:

— Estou dando continência para o coronel, mas quem vai mandar no Brasil serão os capitães.

Pesquisa realizada pela revista Carta Capital e recém-divulgada mostra, realmente, que a maioria do Exército apoia o ex-capitão. “É uma identificação corporativa alimentada pela fúria antipetista que se alastrou pelo País e se converteu em 49 milhões de sufrágios no deputado do PSL, 46% dos votos válidos”, diz a publicação.

Sérgio Moro

“Entre oficiais da reserva, o bolsonarismo é total. O vice da chapa dele, general Antonio Hamilton Mourão, comandava até setembro o Clube Militar, ponto de encontro dos que penduraram a farda. Vários militares colaboram com a campanha e os planos do candidato extremista”, acrescentou.

A partidarização cada vez mais excessiva, no meio militar, tende a se espraiar para os demais poderes, segundo disse um petista à reportagem. A Operação Lava Jato, segundo a fonte, será blindada no Supremo Tribunal Federal (STF) “por meio de duas nomeações para a Corte no próximo governo, para vagas que serão abertas em 2020 e 2021. Uma nomeada seria a PGR Raquel Dodge, que gosta da ideia, segundo relatos. O outro seria o juiz Sérgio Moro”.

— Não tenho receio de um golpe militar que impeça o Haddad de assumir, caso ele vença. Tenho é de o Supremo impedir, por pressão militar. O Supremo e o TSE podem inventar problemas nas nossas contas de campanha — disse à reportagem da revista o petista alertado.

Governo militar

Se vencer as eleições, no entanto, Bolsonaro poderá ser a base de lançamento de um novo período militar na condução do país. Mourão já deixou escapar que medidas como férias e 13º salário deverão ser revistas na administração da qual ele poderá integrar.

Mourão também não descarta um “autogolpe”, caso imagine necessário. Segundo o vernáculo, seria uma forma de golpe de Estado “que ocorre quando o líder de um país, que chegou ao poder através de meios legais, dissolve ou torna impotente o poder legislativo nacional e assume poderes extraordinários não concedidos em circunstâncias normais”.

Suas declarações foram mal recebidas no comando da campanha, a ponto de que lhe fosse sugerido maior comedimento nas entrevistas. O pedido, no entanto, não inibiu o general da reserva. Em entrevista posterior, voltou a afirmar que tem independência para levar adiante o que diz, publicamente. O fato foi abordado no programa da campanha de Haddad, nesta segunda-feira. Diferentemente da propaganda de Bolsonaro, que escondeu o vice na chapa, general Hamilton Mourão (PRTB), a campanha do PT destacou a vice, Manuela D’Avila (PCdoB), para criticar o adversário.

Haddad afirmou ser o oposto de seu adversário e disse que não aceita nem a ditadura nem a tortura.

— Em vez de arma, quero ver livro e carteira de trabalho — disse. O candidato tentou atrair os eleitores que escolheram outro candidato no primeiro turno e disse que quer contar “todos que são a favor da democracia”.