Bolsonaro recebe notícia de que deputado amigo continuará preso

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Publicado quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021 as 14:23, por: CdB

Ainda na conversa com Bolsonaro, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, Lira disse que as agressões do colega ao STF apenas embaçam a discussão de fatos relevantes para o país, a exemplo das reformas econômicas em curso, na Casa.

Por Redação – de Brasília

A Câmara não tomará providência alguma para colocar em liberdade o deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ), preso há mais de 48 horas. Foi o que o presidente da Casa, deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), ao amigo do parlamentar, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na manhã desta quinta-feira, em reunião no Palácio da Alvorada. Na reunião, Lira afirmou ao chefe do Executivo que a tendência é a Casa manter a decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada na véspera e que mantém a prisão de Silveira.

Amigo pessoal de Silveira (PSL-RJ), o presidente Bolsonaro (sem partido) acompanha a prisão do parlamentar

Ainda na conversa com Bolsonaro, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, Lira disse que as agressões do colega ao STF apenas embaçam a discussão de fatos relevantes para o país, a exemplo das reformas econômicas em curso, na Casa. Lira conversou ao telefone, ainda nesta manhã, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a pauta.

Fake news

Guedes reforçou o argumento de que a Câmara não pode perder tempo com uma agenda envolvendo um deputado extremista, em detrimento de toda uma pauta necessária para a retomada da economia. O ponto de vista, segundo Lira, teria convencido as principais lideranças do Parlamento a permitir que prisão siga adiante, ainda que de forma mais branda, monitorada por uma tornozeleira, e o caso seja encerrado.

A decisão unânime do STF foi outro ponto colocado por Lira. O fato também foi avaliado por analistas como uma demonstração de “unidade” da Corte Suprema diante dos ataques à instituição; além de um recado à família do presidente Bolsonaro, que endossa e estimula esse discurso autoritário.

Ainda nesta quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes disse que a decisão “jamais teria sido possível” sem a “atuação corajosa” de Dias Toffoli. Foi ele que determinou no ano passado, enquanto ocupava a presidência do STF, a instauração do inquérito das fake news, para investigar os ataques virtuais contra ministros o Supremo.

Juristas

Foi no âmbito desse processo que o relator Alexandre de Moraes decidiu pela prisão do parlamentar. Além dele, os deputados Filipe Barros (PSL-PR), Bia Kicis (PSL-DF), Carla Zambelli (PSL-SP), dentre outros, também são alvos. As investigações sigilosas envolveriam, inclusive, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), apontando como um dos líderes do esquema criminoso. Após a prisão do colega, ele disse que se sentia com seu “estômago embrulhado”.

 — É fato notório que um dos prováveis implicados nesse inquérito é um dos filhos de Bolsonaro. A gravidade dessa situação é sinal de que o STF entendeu o que está acontecendo. E o que está acontecendo é um ataque orquestrado à democracia brasileira. Se a atividade desse deputado foi aparentemente isolada, não significa dizer que esse ataque ao STF está fora de um contexto maior de ataques feitos por essa camarilha, esse grupo político de perfil claramente fascista” — avaliou o professor de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) Rogério Dultra dos Santos, com assento na Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA).

Dultra ressaltou, no entanto, que essa mesma “unidade” do STF deveria ter sido demonstrada quando a Corte foi acuada pelo general Eduardo Villas Bôas. Em 2018, o então comandante das Forças Armadas disparou tuítes contra a possibilidade dos ministros decidirem pela legalidade da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No livro General Villas Bôas, conversa com o comandante, editado a partir de entrevista do general ao professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Celso de Castro, o militar revelou, contudo, que a cúpula das Forças Armadas participou da elaboração das mensagens com o objetivo de emparedar o STF.

Villas Bôas

Após a divulgação desse conteúdo, o ministro Edson Fachin classificou a pressão militar como “intolerável e inaceitável”, em nota divulgada na última segunda-feira. Posteriormente, Villas Bôas ironizou a reação tardia do ministro. “Três anos depois”, ele respondeu.

Foi nesse contexto que Daniel Silveira proferiu os ataques contra os ministros do STF, especialmente Fachin, na terça-feira, antes de ser preso. Ele instou o ministro a tentar prender o general. Ademais, no vídeo postado pelo deputado, ele disse que chegou a imaginar o ministro “levando uma surra”.

— Essa unidade já deveria ter sido exercitada quando do tuíte do general Villas-Bôas, que ameaçou o STF, no caso da eventual aprovação da inocência do ex-presidente Lula. Mas o Supremo sucumbiu à pressão e chancelou a Lava Jato. Ou seja, naquela época, o STF já estava sendo ameaçado. A ameaça atual é continuidade desse processo deletério das instituições brasileiras, sob a égide desse novo movimento fascista que o Brasil está sofrendo — resumiu Dultra.

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