Bolsonaro se recusa a falar sobre vídeo que envolve o STF

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Publicado terça-feira, 29 de outubro de 2019 as 11:28, por: CdB

Na segunda-feira, o presidente publicou em uma rede social um vídeo no qual ele é representado por um leão cercado por hienas identificadas com símbolos do STF, da ONU, da OAB, de órgãos de imprensa e até do partido do presidente, o PSL, entre outros.

Por Redação, com Reuters e Agências de Notícias – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro deixou uma entrevista que concedia a jornalistas brasileiros na Arábia Saudita, nesta terça-feira, após ser perguntado sobre a resposta dada pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, a respeito de um vídeo publicado na conta oficial de Bolsonaro no Twitter que retrata o STF entre instituições que seriam ameaças a ele.

Bolsonaro não respondeu às críticas do ministro Celso de Mello que falou que o vídeo demonstra que o atrevimento presidencial parece não encontrar limites
Bolsonaro não respondeu às críticas do ministro Celso de Mello que falou que o vídeo demonstra que o atrevimento presidencial parece não encontrar limites

Bolsonaro respondeu sobre as expectativas para um encontro com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e na sequência, ao ser perguntado sobre Celso de Mello, virou-se e encerrou a entrevista, mostrou um vídeo publicado na conta da BBC Brasil na rede social.

Na noite de segunda-feira, Celso de Mello afirmou que o vídeo publicado na conta oficial de Bolsonaro, que posteriormente foi apagado, demonstra que o atrevimento presidencial parece não encontrar limites.

“A ser verdadeira a postagem feita pelo senhor presidente da República em sua conta pessoal em uma rede social torna-se evidente que o atrevimento presidencial parece não encontrar limites na compostura que um chefe de Estado deve demonstrar no exercício de suas altas funções, pois o vídeo que equipara, ofensivamente, o Supremo Tribunal Federal a uma ‘hiena’ culmina, de modo absurdo e grosseiro, por falsamente identificar a Suprema Corte como um de seus opositores”, disse o ministro em resposta enviada por sua assessoria, após questionamento feito pelo diário conservador paulista Folha de S. Paulo sobre o vídeo.

No vídeo em questão, Bolsonaro é representado por um leão cercado por hienas identificadas com símbolos do STF, da ONU, da OAB, de órgãos de imprensa e até do partido do presidente, o PSL, entre outros.

Celso de Mello, o ministro decano do STF, disse que o comportamento revelado no vídeo representa a “expressão odiosa (e profundamente lamentável) de quem desconhece o dogma da separação de Poderes”, e de quem teme um Judiciário independente, em que nenhuma autoridade está acima da Constituição e das leis.

“É imperioso que o senhor presidente da República —que não é um ‘monarca presidencial’, como se o nosso país absurdamente fosse uma selva na qual o Leão imperasse com poderes absolutos e ilimitados— saiba que, em uma sociedade civilizada e de perfil democrático, jamais haverá cidadãos livres sem um Poder Judiciário independente, como o é a Magistratura do Brasil”, acrescentou.

Procurado por meio de sua assessoria, o presidente do STF, Dias Toffoli, não respondeu a um pedido de comentário sobre o vídeo.

O vídeo, que foi excluído rapidamente da rede social, mostra quando o leão Bolsonaro parecia já sem chances de resistir ao ataque das hienas, surge um outro leão, representando a parcela conservadora da sociedade brasileira, para salvá-lo. E a mensagem final: “De perseguição, basta a da oposição. Vamos apoiar o presidente”.
Bolsonaro escreveu ainda: “Mais que a vida, a nossa liberdade”.

Após a publicação do vídeo, surgiu na rede social a hashtag #1AnoDeDesgraça.

O historiador e ex-deputado federal, Chico Alencar, disse em sua rede social que Bolsonaro cria uma cortina de fumaça em uma semana que repercute novos áudios de Fabricio Queiroz. “Não adianta Bolsonaro criar cortina de fumaça com vídeo de leão com hiena para tentar desviar o foco do que realmente importa. Vamos continuar cobrando!”.

A líder da Minoria na Casa, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), diz que não se pode banalizar esse tipo de ação do presidente que é uma grave ameaça à democracia.

“Bolsonaro pede desculpas por vídeo publicado em seu perfil, mas o recado já foi dado. Nas entranhas do bolsonarismo palaciano a guerra contra o STF já está sendo feita – e isso inclui as milícias digitais de Bolsonaro agindo. As instituições não podem banalizar tamanha gravidade”, escreveu a deputada no Twitter.

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) diz que Bolsonaro tem medo da democracia. “O vídeo postado e apagado por Bolsonaro, além de mostrar que ele vê todos como inimigos (STF, mulheres, mídia, partidos, sindicatos), mostra também que está com medo da democracia. O medo de ser derrotado ronda os tiranos e autoritários”, disse.

“Bolsonaro apagou o vídeo depreciando partidos e instituições. Antidemocrático e autoritário, não dá conta de debater com o contraditório, usa a milícia digital para sair em sua defesa e instigar ódio”, afirmou a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann.

Pedido de desculpas

De acordo com um diário conservador paulista, o presidente pediu desculpas nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal pela publicação do curto vídeo. De acordo com o jornal, Bolsonaro disse que haverá retratação.

– Me desculpo publicamente ao STF, que por ventura ficou ofendido. Foi uma inj

ustiça, sim, corrigimos e vamos publicar uma matéria que leva para esse lado das desculpas. Erramos e haverá retratação – disse.

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