Bolsonaro é rejeitado até por Janaína Pascoal e candidatura segue ladeira abaixo

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Publicado terça-feira, 24 de julho de 2018 as 15:43, por: CdB

Sem tempo de TV e ausente dos debates com os demais candidatos, por uma decisão pessoal, Bolsonaro não conseguiu formar uma só aliança com os demais partidos do campo conservador.

 

Por Redação – de São Paulo

Candidato da ultradireita, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) encontra cada vez mais dificuldade para montar sua chapa. Depois de rejeitado por Magno Malta (PR-ES) e pelo general Augusto Heleno (PRP), a advogada Janaína Pascoal, coautora do pedido de impeachment que derrubou a presidenta Dilma Rousseff (PT) desistiu, nesta terça-feira, de ocupar o posto.

Janaína e Bolsonaro não se entenderam e ela desistiu de ser candidata a vice
Janaína e Bolsonaro não se entenderam e ela desistiu de ser candidata a vice

Sem tempo de TV e ausente dos debates com os demais candidatos, por uma decisão pessoal, Bolsonaro não conseguiu formar uma só aliança com os demais partidos do campo conservador. O candidato neofascista tentou explicar a desistência da advogada, nesta manhã, em conversa com jornalistas, ao afirmar que Janaína optou por uma candidatura a deputada estadual, por São Paulo.

— A minha opinião é que, por questão familiar, ela deve ser candidata a deputada estadual, que sempre foi a primeira opção dela — disse Bolsonaro.

Embora o candidato do PSL tenha dito que o motivo da negativa de Janaína tenha sito a “questão familiar”, a advogada seria “progressista” demais e isso teria gerado um mal estar entre os apoiadores mais radicais do extremista de direita. Janaina, dentre outras coisas, não teria aderido completamente ao ideário do candidato (a advogada é contra a redução da maioridade penal e favor da descriminalização do aborto, por exemplo).

Ulstra

O discurso dela na convenção, cujo tom foi de reprimenda ao “pensamento único”, não contribuiu para aumentar a simpatia a ela no grupo pró-Bolsonaro.

A advogada e professora licenciada da USP também se mostrou indignada ao ser comparada com o coronel Brilhante Ulstra, conhecido torturador, por Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro.

Entrevistada pela Jovem Pan nesta manhã, ela disse que foi como levar “um soco na cara”:

— Entendi que ele estava tentando me homenagear. Estou acostumada com pessoas que pensam muito diferente de mim e procurei ver a intenção em si. Tento trocar os personagens. Se estivesse num ambiente esquerdista e alguém me comparasse a Lenin, também ficaria chateada. Meu sentimento ali foi de um soco na cara, mas tento analisar o intuito de quem fala — afirmou.

Irrelevantes

Janaina demonstrou incômodo com o que considera o risco do pensamento único na campanha do deputado.

— Olha, esse “ou você concorda comigo ou vai embora, ou concorda comigo ou vota em outro”, isso aí é perigoso. Eu não vou entrar num ambiente em que esse pensamento seja dominante — afirmou, em referência aos discursos que ouviu na convenção do partido no domingo.

Aos radialistas, ela admitiu que a família pesa na decisão, mas ressaltou que a liberdade de ideias é essencial. Janaina e Bolsonaro se encontraram pela primeira vez no domingo. As conversas dela com o partido se deram por meio de Gustavo Bebianno, presidente da legenda.

As opções que restaram ao candidato de ultradireita, no entanto, têm papel secundário na cena política. Presidente licenciado do PSL, o empresário e ex-deputado Luciano Bivar, e o deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), presidente do diretório mineiro do partido seriam sondados para compor a chapa.

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