Bolsonaro segue cartilha da extrema direita, derrotada ao redor do mundo

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Publicado quinta-feira, 12 de agosto de 2021 as 18:13, por: CdB

A próxima disputa presidencial no Brasil será em 2022, e Bolsonaro aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto – atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recuperou seus direitos políticos, em março deste ano.

Por Redação, com BdF – de São Paulo

O Brasil demorou a comprar vacinas contra a covid, está de volta aos patamares do Mapa da Fome e atingiu uma taxa de desemprego recorde. Essas três situações impactam a vida de milhões de famílias na pandemia, mas passam longe dos discursos de Jair Bolsonaro. Há uma semana, o presidente só fala em supostos problemas no sistema eleitoral.

Bolsonaro, neofascista
O mandatário neofascista Jair Bolsonaro (sem partido) prega a violência e a volta do regime militar ao país

A próxima disputa presidencial no Brasil será em 2022, e Bolsonaro aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto – atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recuperou seus direitos políticos, em março deste ano.

O Planalto apostou todas as fichas na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do voto impresso, que acabou derrotada na Câmara dos Deputados na última terça-feira. Mesmo assim, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) continua sendo alvo dos discursos do capitão.

— Não tenho provas — ressaltou o mandatário neofascista ao menos três vezes, na véspera, ao insinuar que o TSE “poderia saber” de uma suposta tentativa de fraude contra sua candidatura em 2018.

Disrupturas

Pesquisadores disseram ao site de notícias Brasil de Fato (BdF) que tirar o foco dos problemas reais do país é apenas um dos objetivos do ataque de Bolsonaro às urnas eletrônicas. O cientista político Vitor Marchetti avalia que Bolsonaro segue a mesma cartilha adotada por candidatos conservadores em outros países. Ele cita Donald Trump, nos Estados Unidos, em 2020, representantes da direita boliviana em 2019, e Keiko Fujimori, no Peru, este ano.

— A lógica é a mesma, de produzir instabilidade para o cenário eleitoral. Porque é por meio do caos, da formação de disrupturas, que essas figuras conseguem se colocar como ‘antissistema’. Tudo isso é parte de um sistema desestabilizador, que é uma estratégia para favorecer seu grupo na concentração e centralização do poder — analisa.

O passo a passo é simples, mas arriscado. Se conseguirem minar a confiança pública na eleição, esses políticos colocam em xeque as bases da democracia liberal e abrem caminho para governar sem o respaldo das urnas.

— São figuras (nos EUA, na Bolívia, no Peru e no Brasil) que fogem aos scripts esperados de disputas eleitorais em regimes democráticos. Essa é a grande onda: a ruptura com a lógica das instituições democráticas e eleitorais — acrescenta Marchetti, que é professor da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Base armada

O discurso precisa ser direto e agressivo, para que as bases de apoio se sintam convocadas a defender esses políticos a qualquer custo. Na pior das hipóteses, o adversário que vencer as eleições assumirá sob desconfiança de parte da população.

Nos últimos oito anos, países como Israel, Alemanha e Venezuela viveram experiências semelhantes. O próprio Brasil, já em 2014, com Aécio Neves (PSDB), voltou a se deparar com acusações infundadas de fraude eleitoral. Dilma Rousseff (PT) tomou posse sob pressão, e o tucano levou meses para admitir o resultado.

— Mesmo após a vitória (em 2018), Bolsonaro já fazia um questionamento às urnas. Durante a campanha também houve essas falas, embora menos contundentes e organizadas do que agora. O bolsonarismo hoje tem capacidade de mobilizar uma base armada, nas polícias militares, nas milícias, nos clubes de atiradores. E ele vai tentar alimentar esses grupos para tentar produzir instabilidade. Afinal de contas, esse é um governo militar, conduzido estrategicamente por militares — conclui.

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