Bolsonaro será denunciado na ONU

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Publicado domingo, 8 de setembro de 2019 as 18:32, por: CdB

Denúncia terá lugar na terça-feira, na sede da ONU em Genebra, na grande sala da Comissão de Direitos Humanos, e será entregue e lida pelo diretor de Direitos Humanos da OAB.

Rui Martins, de Genebra:
Denúncia será entregue diretamente à Alta Comissária Michelle Bachelet

A ofensa do presidente Bolsonaro à Alta Comissária dos Direitos Humanos da ONU provocou reações em todo mundo e, no Brasil, a Ordem dos Advogados do Brasil e o Instituto Vladimir Herzog decidiram apresentar, na terça-feira, uma denúncia contra o presidente brasileiro por estar provocando um retrocesso à democracia no Brasil e por fazer uma apologia à ditadura no Chile, na época de Augusto Pinochet.

Ao mesmo tempo, a OAB e o Instituto Vladimir Herzog realizarão, na própria sede da Comissão de Direitos Humanos, na ONU de Genebra, um encontro paralelo destinado à imprensa internacional.

Não se trata de um pedido de processo, porém de uma denúncia que será acrescentada às irregularidades já mencionadas pela Alta comissária chilena, no seu relatório sobre irregularidades no Brasil. Como o Brasil é candidato à reeleição como membro da direção da Comissão de Direitos Humanos, essa denúncia irá reforçar o número de países contrários à sua escolha.

É provável que o Brasil receba, nessa escolha, só o apoio dos países com regimes totalitários. Mesmo porque o Brasil já deu, recentemente, apoio a esses países, como a Arábia Saudita e o Paquistão, na questão dos direitos sexuais das mulheres, por eles negadas.

O Brasil, que antes de Bolsonaro, votava sempre com os países democráticos europeus, também apoiou indiretamente o governo de extrema-direita das Filipinas, deixando de votar na ONU, no pedido de abertura de investigações sobre execuções extrajudiciais pelo governo filipino.

O Brasil deu também apoio ao governo militar egípcio e ao Iraque num pedido de exclusão de um texto, da ONU, sobre o direito à saúde sexual e reprodutiva das mulheres. Nessa mesma linha, o Brasil apoiou a proposta paquistanesa de se retirar a menção relativa à educação sexual numa resolução da ONU.

Mudou totalmente a posição do Brasil na ONU, pois deixou de apoiar a igualdade entre os sexos, rejeita tudo quanto se refere aos homossexuais, transexuais ou bissexuais e adotou uma posição conservadora sintetizada na promoção da família.

Por Rui Martins, correspondente em Genebra, Suíça.

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