Bolsonaro tenta usar operação da PF para sair ileso do PSL

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Publicado terça-feira, 15 de outubro de 2019 as 13:41, por: CdB

A direção do PSL marcou para esta terça-feira uma reunião para decidir se expulsa deputados da legenda.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

A operação da Polícia Federal desta terça-feira com foco no presidente do PSL, Luciano Bivar, fortalece a tese de justa causa para que parlamentares deixem o partido sem correrem risco de serem cassados por infidelidade partidária, disse à agência de notícias britânica Reuters o deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS), aliado do presidente Jair Bolsonaro.

– Sem dúvida (ajuda a sair do partido sem ser cassado). Como vou ficar no partido onde a Polícia Federal bate na casa do presidente? – questionou Nunes.

O presidente Jair Bolsonaro reuniu-se na segunda-feira para analisar a sua saída do PSL
O presidente Jair Bolsonaro reuniu-se na segunda-feira para analisar a sua saída do PSL

O deputado disse que aliados do presidente na legenda vão tentar sair em bloco do PSL. Ele contabilizou 22 deputados nessa situação, número esse que, com a operação da PF desta terça, pode subir porque haveria outros 11 indecisos. Bibo Nunes destacou que considera “normal” a operação policial contra o presidente do partido.

– As atitudes do Bivar só poderiam levar a isso, pela maneira como leva o partido, sem ética, sem compliance, sem transparência, como um coronel – afirmou.

Para o deputado, que diz já defender o afastamento de Bivar há muito tempo, o mínimo seria que ele entregasse a presidência do partido diante da operação da PF. Contudo, Nunes disse que não vê essa perspectiva porque ele é o “dono total” da legenda em que, além de ter aliados em postos-chave, fez um estatuto em que lhe dá grandes poderes.

O parlamentar disse que uma decisão sobre a permanência no PSL será tomada em conjunto com Bolsonaro. Outra aliada de Bolsonaro na legenda, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) não quis comentar a operação da polícia em relação a Bivar. Ela disse que o caso é uma “coisa pessoal” dele, mas repetiu que está pedindo transparência nas contas da legenda. Procurado em dois telefones celulares, Bivar não atendeu nesta manhã.

Em nota, a defesa de Bivar disse que não há indícios de fraude no processo eleitoral, e acrescentou ver a operação com “muita estranheza” devido ao atual momento de turbulência política.

“A defesa enfatiza que o inquérito já se estende há 10 meses, já foram ouvidas diversas testemunhas e não há indícios de fraude no processo eleitoral. Ainda na visão da defesa, a busca é uma inversão da lógica da investigação, vista com muita estranheza pelo escritório, principalmente por se estar vivenciando um momento de turbulência política”, disse o escritório de Ademar Rigueira, que responde pela defesa de Bivar e do PSL em Pernambuco.

Expulsão de deputados

Em meio a essa crise e diante da operação, a direção do PSL marcou para esta tarde uma reunião para decidir se expulsa deputados da legenda. A deputado Alê Silva (PSL-MG) disse à Reuters que espera a reunião sobre a expulsão dela e de outros colegas e comparou Bivar à rainha do livro Alice do País das Maravilhas: “Só sai gritando: cortam-lhe as cabeças”. A parlamentar disse que já recebeu um convite formal de filiação do Podemos, por meio do senador Alvaro Dias (PR), mas ainda está em conversação.

Presidente do Republicano pede cautela sobre Jair Bolsonaro

Apontado como um dos partidos que poderiam receber o presidente Jair Bolsonaro e os demais insatisfeitos do PSL, o Republicanos —antigo PRB— analisa com cautela a possibilidade.

egundo o presidente da legenda, o deputado Marcos Pereira (SP), não há nada de concreto nesse movimento e é preciso ter calma nesse momento.

– Tem alguns deputados que acham bom. Minha orientação é conversar – disse Pereira à agência de notícias britânica Reuters.

O Republicanos é um dos partidos do chamado centrão e, até agora, tem se mantido independente e sem cargos no primeiro escalão do governo.

Ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo —um dos apoiadores de Bolsonaro— o partido seria um dos caminhos para o presidente, que tem se aproximado cada vez mais dos evangélicos.

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