Bombardeios ampliam guerra entre Israel e muçulmanos

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Publicado domingo, 16 de julho de 2006 as 20:25, por: CdB

Israel bombardeou o prédio do Ministério das Relações Exteriores Palestino em Gaza na madrugada desta segunda-feira (horário local, noite de Brasília). A explosão destruiu completamente o prédio e atingiu residências próximas, deixando vários feridos. Testemunhas também relataram o ataque israelense ao porto da cidade libanesa de Tripoli. As autoridades apuravam o número de feridos nos dois bombardeios. No outro front da guerra entre israelenses e seus vizinhos muçulmanos ocorreu em seguida. Foguetes lançados pelo Hezbollah, no Líbano, atingiram a cidade de Afula neste domingo, a 50 quilômetros da fronteira, segundo informe do exército israelense. Os foguetes também atingiram Nazaré e outras cidades e vilas e as forças de apoio social ainda apuravam quantos feridos foram encontrados no local. Não há informes sobre novas mortes devido aos confrontos.

Neste domingo, o líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, afirmou que a “batalha contra Israel está apenas começando”. Foi sua primeira aparição pública, em discurso transmitido pela televisão, desde o início dos ataques contra o Líbano na quarta-feira. No pronunciamento transmitido pelo canal de TV do Hezbollah, o xeque Nasrallah disse que o grupo vai usar “todos os meios possíveis” para defender o Líbano e a sua população, e que não vão haver “limites ou linhas vermelhas”.

O líder do Hezbollah também criticou Israel por ter atacado civis e lugarejos libaneses e ainda acusou os israelenses de terem usado armas internacionalmente proibidas durante a ofensiva. Ele ressaltou que a ação do grupo militante na última quarta-feira, que levou ao início dos ataques de Israel contra o Líbano, foi dirigida contra uma instalação militar e não contra civis israelenses. O discurso de Nasrallah, neste domingo, foi precedido pelo ataque do Hezbollah contra a cidade de Haifa, no norte de Israel, que deixou oito mortos.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou que a ação, o mais mortal ataque a mísseis do Hezbollah até o momento, terá “conseqüências importantes”.

Evacuação

Depois do ataque, as Forças Armadas de Israel aconselharam todos os moradores a abandonar o sul do Líbano – que deve ser alvo de uma ofensiva violenta. De acordo com os militares israelenses, “todas as posições usadas para o lançamento de mísseis vão ser atacadas, mesmo que sejam em áreas residenciais”. A Força Aérea de Israel voltou a atacar a região ao sul de Beirute, onde estão concentrados os prédios administrativos do Hezbollah.

O grupo militante, por sua vez, afirmou que o ataque a Haifa foi uma reação aos ataques israelenses que já deixaram cerca de cem mortos e destruíram partes importantes da infra-estrutura libanesa nos últimos dias. Ainda neste domingo, chegou em Beirute o chefe de política externa da União Européia, Javier Solana, que vai discutir a crise com o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora.

Apelo

A UE já tinha feito um apelo a ambas as partes para que limitassem as suas ações. Pouco antes da chegada de Solana, o ministro da Informação do Líbano, Ghazi al-Aridi, acusou Israel de estar arriscando “aniquilar” o povo libanês.

O ministro também confirmou que a Itália já havia repassado ao governo libanês as condições israelenses para o fim dos ataques.

De acordo com Aridi, Israel exige a retirada das forças do Hezbollah do sul do Líbano e a libertação dos dois soldados capturados na quarta-feira.

A ofensiva israelense começou na quarta-feira, depois da captura de dois soldados do país pelo Hezbollah.

Apoio financeiro

Arábia Saudita, Kuweit e Emirados Arábes Unidos prometeram, neste domingo, doar US$ 90 milhões em ajuda ao Líbano, após o primeiro-ministro dizer que os ataques israelenses tornaram o país uma área de desastre. O primeiro-ministro Fouad Siniora pediu ajuda internacional neste sábado. A agência de notícias estatal da Arábia Saudita,