Bombeiros sentem cheiro forte que pode ser de corpos

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Publicado sábado, 28 de setembro de 2002 as 01:26, por: CdB

A Defesa Civil suspeita que haja vítimas soterradas nos escombros do prédio que desabou na quarta-feira na esquina das ruas 1º de Março e do Rosário, no centro do Rio. No fim da tarde, o coronel Ward Gusmão, do Corpo de Bombeiros, disse que os bombeiros que trabalhavam no local sentiram um cheiro forte, que poderia ser de corpos em decomposição.

O porteiro Raimundo de Melo, que trabalhava no hotel que funcionava no prédio, disse que um casal de hóspedes estava no prédio na hora do desabamento. Até o início da noite, nenhum corpo havia sido encontrado.

Depois de trabalhar até o meio-dia no escoramento do prédio ao lado, que ameaçava desabar, os bombeiros retomaram a remoção dos escombros. No prédio que ruiu, funcionavam um chaveiro, um restaurante e um hotel.

Doze prédios nas imediações continuam interditados, mas, em alguns deles, proprietários de salas comerciais puderam retirar documentos e equipamentos, o que não aconteceu com o dono do edifício que ameaça desabar (número 57 da rua do Rosário), Carlos Augusto Marinho.

“Perdi tudo. O prédio pertence à minha família há 70 anos. Tenho um restaurante ali e não posso retirar nada, porque as paredes estão todas rachadas e já me avisaram que o prédio será demolido”, disse.

Ele afirmou que tirou fotografias do prédio que desabou momentos antes de ele ruir. “Vou depor e vou ajudar no que puder para o inquérito ser o mais completo possível. O culpado tem que ser punido e eu tenho que ser ressarcido”, disse.

O prédio teria desabado por causa de uma obra que estava sendo realizada no restaurante que funcionava no primeiro andar. Segundo Marinho, a obra começou no início da semana e era feita por um novo locatário.

“Ali funcionava um restaurante que faliu há uns três anos. Só agora é que alguém alugou o andar e começou a fazer obras”, disse.

O delegado-titular da 1ª DP (Delegacia de Polícia), Rogério Marchesini Franco, disse que começará a tomar depoimentos na segunda-feira.