Boulos acredita que frente ampla de centro-esquerda deterá o fascismo de Bolsonaro

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Publicado quinta-feira, 18 de março de 2021 as 17:01, por: CdB

Líder de centro que ora pende à direita, ora à esquerda, o presidenciável Ciro Gomes (PDT) é um nome que, segundo Boulos, poderia se juntar à frente em formação, mas é preciso que haja espaço para diálogo.

Por Redação – de São Paulo

Líder de uma campanha memorável à prefeitura de São Paulo, no ano passado, e com credenciais mais ajustadas para uma candidatura presidencial, em 2022, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, 38, trabalha pela edição de uma frente de esquerda contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tenha início imediato. Boulos confirma que o regresso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao cenário eleitoral “altera o jogo” para as próximas eleições.

Boulos trabalha pela formação imediata de uma frente contra o fascismo

— A política que eu e muita gente no PSOL defende é de construir unidade. Não dá para ter táticas eleitorais como se o Brasil estivesse andando normalmente. Tem de ter juízo e responsabilidade de colocar os projetos pessoais em segundo plano diante da necessidade do país superar este pesadelo — disse Boulos, em entrevista exclusiva à revista semanal de centro-esquerda Carta Capital, reproduzida em alguns trechos aqui no Correio do Brasil.

O debate interno no PSOL, segundo Boulos, avalia a entrada do ex-presidente no tabuleiro eleitoral muda o cenário para a esquerda.

— Esse debate ainda não começou no PSOL. Nosso foco agora é debater 2021, é construir uma unidade de ação da oposição para enfrentar os dilemas de 2021. É claro que isso tem impacto nas eleições de 2022 — afirmou.

Unidade agora

Lula elegível, no entanto, segundo Boulos muda a correlação de forças na esquerda e “altera o jogo”.

— Nós vimos as reações do Bolsonaro. Mas o foco para nós agora é discutir uma unidade da oposição em 2021, o que facilita muito a construção de uma unidade para 2022. A política que eu e muita gente no PSOL defende é de construir unidade. Não dá para ter táticas eleitorais como se o Brasil estivesse andando normalmente. Existe um risco democrático real — acrescentou.

Para Guilherme Boulos, o cenário político somente ficará favorável à esquerda se houver grandeza para a formação de uma frente capaz de deter o avanço do fascismo.

— Eu defendo uma unidade da esquerda desde agora. Essa unidade se constrói desde já e eu defendo que ela se traduza em uma unidade da esquerda e centro-esquerda em 2022. Num momento como esse é evidente que aquilo que a oposição tem de unidade se coloque à frente das diferenças. As nossas diferenças internas na esquerda são muito menores do que as nossas diferenças com o Jair Bolsonaro. O ambiente para a unidade é muito maior agora do que foi em outros momentos — ressaltou.

Ciro Gomes

Líder de centro que ora pende à direita, ora à esquerda, o presidenciável Ciro Gomes (PDT) é um nome que, segundo Boulos, poderia se juntar à frente em formação, mas é preciso que haja espaço para diálogo.

  Espero que ele (Ciro) entre (na formação de uma frente de esquerda). Temos conversado com várias lideranças do campo progressista. Eu e o Juliano Medeiros, presidente do PSOL, conversamos com o (Carlos) Lupi, presidente do PDT. Tenho conversado com a Marina Silva (Rede), Gleisi (Hoffmann), presidente do PT, (Fernando) Haddad, Flávio Dino (PCdoB). O que defendo é uma unidade do campo progressista. Espero que o Ciro possa fazer parte dela, mas isso depende hoje muito mais de gestos e da disposição dele do que da nossa em acolher — adiantou.

Apesar do caráter pendular de Ciro Gomes, no entanto, não há espaço para diálogo com a centro-direita.

— Eu não acredito em aliança com a centro-direita. Eles não querem. Mas o ‘Centrão’ esteve com Lula em 2006 e já o apoiou. Essa é uma falsa questão. O ‘Centrão’ está no barco do Bolsonaro e tudo indica que vai marchar com ele em 2022 — concluiu.