Brasil, país de banqueiros, bancadas e bancarrotas

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Publicado sexta-feira, 10 de agosto de 2018 as 17:07, por: CdB

Na minuta contratual há cláusulas em letras microscópicas impondo tantas exigências e, examinadas todas, alguma sempre faltará, detalhe que não escapa dos olhos magistrais da imensa maioria dos juízes e seus exércitos de assessores. Isso é a soma dos nossos dias e a síntese de nossa tragédia social.

 

Por Maria Fernanda Arruda – de Brasília

 

Brasil atual, país de banqueiros, bancadas, bancarrotas, bi isso, bi aquilo, burrices, blindagens, bandidos palacianos, isso só com a letra ‘b’. Acrescentemos um pouco mais: Você acaso caiu no conto da carta de crédito imobiliário do Bradesco? É pior que ser emboscado pelo Leatherface, o facínora do Massacre da Serra Elétrica.

Maria Fernanda Arruda escreve para o Correio do Brasil
Maria Fernanda Arruda escreve para o Correio do Brasil

Adquirir e pagar, nada complicado, só sorrisos. Acessar os recursos comprados nem Kafka imaginaria tanto. Você vai àquele difícil personagem do atendimento pessoal, atravessa portas giratórias sob os olhos vigilantes dos seguranças, apresenta comprovantes, alguém os confere e sempre, sempre, falta algum documento, um carimbo, até selagem de anel dos reis da Dinamarca nalgum canto de algum envelope.

Enquanto isso, vão empurrando, acuando, humilhando. Cansado, crente nesse judiciário oligárquico, você contrata um advogado, aciona o banco. As decisões, misericórdia, com aquelas raríssimas exceções recorríveis ad infinitum, ainda vão condená-lo a pagar honorários de sucumbência. Banco tem sempre razão.

Raquetadas

Na minuta contratual há cláusulas em letras microscópicas impondo tantas exigências e, examinadas todas, alguma sempre faltará, detalhe que não escapa dos olhos magistrais da imensa maioria dos juízes e seus exércitos de assessores. Isso é a soma dos nossos dias e a síntese de nossa tragédia social.

E de nada adiantam os procons da vida, as ouvidores, os SACs automatizados que o transformam em bolinhas de ping-pong. Você virá suco de raquetadas.

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Reze um milhão de Padre-Nossos, um bilhão de Aves-Marias, pague dízimos ao Emir, aquele da Universal, faça uma apostinha na Mega que, se o Cunha não ganhar, você enfim poderá ser um feliz ganhador.

Maria Fernanda Arruda é escritora e colunista do Correio do Brasil.

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