Brasil tem maior déficit em transações correntes para agosto em 5 anos

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Publicado segunda-feira, 23 de setembro de 2019 as 13:32, por: CdB

O BC ressaltou que essa conta refletiu fundamentalmente um aumento das despesas brutas de lucros remetidos, de US$ 804 milhões em agosto do ano passado para US$ 1,9 bilhão no mesmo mês deste ano.

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

O Brasil teve déficit em transações correntes de US$ 4,274 bilhões em agosto, desempenho mais fraco que o esperado e afetado sobretudo pelo aumento na remessa de lucros e dividendos para o exterior. O dado efetivo foi o mais fraco para o mês desde 2014 (-US$ 5,998 bilhões).

A diferença veio principalmente da remessa líquida de lucros e dividendos, que chegou a US$ 3,433 bilhões, contra apenas US$ 464 milhões um ano antes.

Já os investimentos diretos no país (IDP) superaram as projeções, alcançando US$ 9,47 bilhões no mês, ante estimativa de 6 bilhões de dólares. Em agosto, a conta de renda primária ficou negativa em US$ 4,727 bilhões, num rombo mais de quatro vezes superior ao registrado em igual mês de 2018.

A diferença veio principalmente da remessa líquida de lucros e dividendos, que chegou a US$ 3,433 bilhões, contra apenas US$ 464 milhões um ano antes.

O BC ressaltou que essa conta refletiu fundamentalmente um aumento das despesas brutas de lucros remetidos, de US$ 804 milhões em agosto do ano passado para US$ 1,9 bilhão no mesmo mês deste ano. Também contribuindo para essa performance, houve recuo na receita de lucros reinvestidos, de US$ 1,6 bilhão para US$ 157 milhões, na mesma base de comparação.

Enquanto isso, a balança comercial teve acréscimo de 14,5% em agosto sobre um ano antes, a US$ 2,664 bilhões. Já as despesas líquidas com viagens internacionais caíram a US$ 846 milhões, ante 900 milhões de dólares em agosto de 2018.

Nos oito primeiros meses do ano, o déficit em transações correntes alcançou US$ 30,277 bilhões, alta de 38% sobre igual período do ano passado. Para o ano, a expectativa traçada em junho pelo BC era de que o rombo em transações correntes seria de US$ 19,3 bilhões em 2019. Contudo, diante do desempenho registrado até aqui, o BC deverá revisar sua projeção nesta semana, no Relatório Trimestral de Inflação.

Nos 12 meses até agosto, o déficit em transações correntes é de US$ 33,852 bilhões, equivalente a 1,84% do Produto Interno Bruto (PIB) e no patamar mais alto desde março de 2016 (2,11%).

O dado incorpora também uma revisão metodológica feita pelo BC para passar a abarcar dados referentes às receitas de exportação mantidas no exterior. Antes, a ausência desses dados culminava em superestimação do crédito comercial ativo, dada a subestimação do fluxo financeiro, ressaltou o BC.

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