Brasil vacinou completamente apenas 8,7% da população

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Publicado segunda-feira, 24 de maio de 2021 as 11:13, por: CdB

Mais de quatro meses após o início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, o país imunizou completamente apenas 8,7% da população, a mostram dados do Ministério da Saúde. De acordo com os números mais recentes, pouco mais de 18,5 milhões de pessoas receberam duas doses de vacinas contra o coronavírus.

Por Redação, com DW – de Brasília

Mais de quatro meses após o início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, o país imunizou completamente apenas 8,7% da população, a mostram dados do Ministério da Saúde.

A grande maioria das doses aplicadas até o momento é da CoronaVac (66,1%)

De acordo com os números mais recentes, pouco mais de 18,5 milhões de pessoas receberam duas doses de vacinas contra o coronavírus.

Quando se trata da aplicação de apenas uma dose, o número sobe para 39,2 milhões de pessoas, o equivalente e 18% da população brasileira de 211 milhões de habitantes.

A maioria dos vacinados são mulheres (59%) e a faixa etária que mais recebeu doses foi a de 65 a 69 anos (9,7 milhões). Trabalhadores da saúde receberam 11,5 milhões de doses.

O Estado que mais vacinou é, também, o mais populoso. São Paulo aplicou 13,2 milhões de doses, seguido por Minas Gerais (5,9 milhões), Rio de Janeiro (5 milhões), Rio Grande do Sul (4,2 milhões) e Bahia (4 milhões).

A grande maioria das doses aplicadas até o momento é da CoronaVac (66,1%), seguida de AstraZeneca-Oxford (32,2%) e Pfizer-BioNTech (1,7%).

No total, o Brasil contabiliza mais de 449 mil mortes por covid-19 e mais de 16 milhões de casos.

Em números absolutos, o Brasil é o segundo país do mundo com mais mortes, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam mais de 589 mil óbitos. É ainda o terceiro país com mais casos confirmados, depois de EUA (33,1 milhões) e Índia (26,5 milhões).

Sozinho, o país é responsável por quase metade de todos os óbitos por covid-19 na América Latina.

Escassez de vacinas

Embora seja exemplo mundial em campanhas de imunização, o Brasil enfrenta lentidão na vacinação contra a covid-19 devido à escassez de vacinas.

Na contramão de quase todos os países do mundo, o Ministério da Saúde se comprometeu inicialmente com apenas uma vacina e não com um leque diversificado como ocorreu, por exemplo, na União Europeia e nos Estados Unidos.

O governo brasileiro apostou todas as fichas na vacina da AstraZeneca-Oxford, fez pouco caso da CaronaVac e recusou ofertas da Pfizer ao longo do segundo semestre do ano passado.

A lentidão e possível omissão na compra de vacinas está sendo investigada pela CPI da Pandemia. À comissão, o ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo diz que governo brasileiro ignorou cinco ofertas de vacinas somente em 2020.

Segundo Murillo, a primeira proposta da Pfizer ao Brasil foi feita em 14 de agosto de 2020. A empresa ofereceu contratos para a compra de 30 milhões ou 70 milhões de doses da vacina. O de 70 milhões consistia em 500 mil doses ainda em 2020, 1,5 milhão no primeiro trimestre de 2021, 5 milhões no segundo trimestre, 33 milhões no terceiro trimestre e 30 milhões no quarto.

Após sete recusas por parte do Brasil, um contrato com a empresa foi fechado somente em março desse ano.

Outro fator que colabora para a escassez de imunizantes é o atraso na liberação de insumos enviados pela China, o que suspendeu a produção da CoronaVac pelo Insituto Butantan e da vacina de Oxford pela Fundação Oswaldo Cruz.

A direção do Instituto Butantan e o governador de São Paulo, João Doria, afirmaram no começo de maio que os constantes ataques do presidente Jair Bolsonaro à China estão afetando a importação dos insumos.

O atraso no envio da matéria-prima e, consequentemente na produção da CoronaVac, se refletiu na campanha de vacinação.

Desde o final de abril, o país sofre de atrasos na aplicação da segunda dose da CoronaVac. Segundo uma pesquisa do final de abril da Confederação Nacional de Municípios (CNM), quase um terço das cidades brasileiras ficaram sem a segunda dose da vacina. O problema é mais grave na região Sul do país, onde quase metade das prefeituras disse ter interrompido a vacinação com a segunda dose.

Na raiz da crise, segundo especialistas e a própria atual gestão do Ministério da Saúde, está uma comunicação de março da pasta de que doses não precisariam ser guardadas para aplicação em que já recebeu a primeira.

Na semana passada, o Ministério da Saúde informou que enviou lotes de vacinas aos estados, com os quais será possível vacinar todos os que estão com doses atrasadas.

Início da vacinação conturbado

A vacinação no Brasil começou em 18 de janeiro, com a CoronaVac, aposta do governo paulista, já que a outra vacina aprovada, a da AsraZeneca-Oxford, ainda não estava disponível.

Ao longo de 2020, a CoronaVac foi constantemente desprezada por Bolsonaro, que chegou a comemorar a morte de um voluntário na fase de testes, num caso sem relação com o estudo, e a suspensão temporária dos testes. “Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, afirmou na época.

O presidente constantemente chamava o imunizante de “vacina chinesa” e questionava a sua eficácia. Em outubro, Bolsonaro cancelou um protocolo de intenção do Ministério da Saúde para a aquisição da CoronaVac. A mudança de postura do governo federal veio após a pressão de governadores e tentativas frustradas de adquirir outra vacina para o início da imunização.

Apesar de depender da CoronaVac para o início da campanha, Bolsonaro seguiu menosprezando o imunizante. “Esta vacina que está aí é 50% de eficácia. Ou seja, se jogar uma moedinha para cima, é 50% de eficácia. Então, está liberada a aplicação no Brasil”, disse em janeiro.

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