Brasileiro Cacau vive doce fama no futebol alemão

Arquivado em: Arquivo CDB
Publicado sábado, 20 de novembro de 2004 as 11:01, por: CdB

A temporada européia começou com uma surpresa para os brasileiros. Jogando pelo Stuttgart, o quase desconhecido atacante Cacau, de 23 anos, se transformou em um dos principais destaques do Campeonato Alemão.

Nas 13 primeiras rodadas da competição, Claudemir Jeronimo Baretto (nome de Cacau) marcou sete gols e ofuscou Aílton, do Schalke 04, artilheiro na temporada passada.

Cacau está em seu segundo ano no Stuttgart e a boa fase vem depois de um dos piores momentos de sua trajetória alemã. Em sua chegada ao clube, o brasileiro apenas brigava por um lugar no banco de reservas.

– Foi uma fase difícil, porque, em jogos importantes, eu nem entrava. Lutei bastante e acabei mudando até o meu comportamento nos treinos, nos jogos. Comecei a dar o melhor sempre e isso está aparecendo agora – afirmou o atacante, que tem como companheiro outro brasileiro (naturalizado alemão) pouco conhecido no país, Kevin Kuranyi.

A trajetória de Cacau é diferente do caminho da maioria dos brasileiros que fazem sucesso no futebol europeu. Ao contrário de compatriotas como Kaká, Luís Fabiano, Ronaldo e Ronaldinho, ele não saiu de um grande clube para um contrato milionário.

– Eu jogava em uma escola de Mogi das Cruzes (cidade da Grande São Paulo) e o meu treinador tinha um primo que morava aqui na Alemanha – contou o jogador, que começou sua aventura em 1999.

O primo do técnico Mauro Correia, Osmar Oliveira, recebeu o jogador e o levou para testes no Türk Gücü, clube de Munique que disputa a quinta divisão do Campeonato Alemão.

– Eu fiz dois meses de testes e acabei passando. Aí, voltei para o Brasil para levar o contrato e, em cinco meses, comecei a jogar. Foi um período muito difícil por eu não estar acostumado com o idioma. Foi uma fase em que tudo era diferente e eu tive dificuldade de adaptação – lembrou Cacau, que jura não ter pensado em voltar.

– Para mim, juntou o idioma e a saudade da família. Tinha alguns brasileiros com quem eu conversava, mas eu sentia muita falta principalmente da minha namorada, que hoje é minha mulher – disse.

Na primeira fase, Cacau morava na casa de seu empresário, que também servia de intérprete. Mesmo assim, ele não se livrou de alguns problemas.

– Para comer, por exemplo, era só em um restaurante grego. Não tinha brasileiros bons por perto. Aí, eu ia ao grego porque já conhecia o cardápio — disse.

A experiência na quinta divisão durou até o começo de 2001. Cacau fechou contrato com o Nuremberg, time que disputava a primeira divisão alemã. No entanto, não seria dessa vez que ele estrearia na Bundesliga. O seu contrato foi para jogar no time B do clube, que disputa a quarta divisão alemã.

– O Osmar conhecia um amigo do amigo do tesoureiro do clube e conseguiu que eles me observassem. Eu joguei quatro ou cinco meses no time B e estava bem, fazendo gols – disse – No meio do ano, o time principal estava com falta de atacantes e o treinador resolveu me chamar. Encarei isso como a minha chance e consegui me dar bem.

Um ano e meio de Nuremberg, uma equipe pequena da Alemanha, foi suficiente para o brasileiro despertar o interesse do Stuttgart. E, depois de cinco anos fora do país, ele vê pela primeira vez uma oportunidade de brigar por um título.

– A gente está fazendo de tudo para ganhar. Os times estão pontuando na frente e não podemos deixar que eles escapem. Por isso, as próximas rodadas serão decisivas para nós – disse o jogador, que não se ilude com a fama que os gols trouxeram – É claro que o assédio da imprensa e da torcida aumentou, mas para mim o importante é o apoio dos amigos. Eles é que falam quando estou bem ou estou mal.