Brasileiro, diretor-geral da OMC Roberto Azevêdo renuncia ao cargo

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Publicado quinta-feira, 14 de maio de 2020 as 19:08, por: CdB

O brasileiro Roberto Azevedo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, não poderia ter escolhido pior momento para deixar suas funções.

Por Rui Martins com OMC – de Genebra

O mundo vive uma situação de crise econômica mundial. Porém, o motivo estaria ligado ao fato de ser casado com a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, que vem adotando nos seus discursos a linha política isolacionista do governo Bolsonaro, fixada pelo chanceler Ernesto Aráujo, pela qual o Brasil se indispõe com Cuba, Venezuela e com a Comissão de Direitos Humanos.

Roberto Azevêdo disse que tomou uma decisão pessoal, para ajudar no processo de substituição do seu cargo, na OMC
Roberto Azevêdo disse que tomou uma decisão pessoal, para ajudar no processo de substituição do seu cargo, na OMC

Em uma reunião virtual de todos os membros da OMC, nesta quinta-feira, o brasileiro diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevedo, anunciou que deixará seu cargo no fim de agosto, abreviando seu segundo mandato de exatamente um ano.

Futuro

Segundo Roberto Azevedo, antecipar sua partida permitirá aos outros membros da direção da OMC selecionarem com vagar seu sucessor nos próximos meses, sem desviar a energia política e a atenção dos preparativos para a Décima Segunda Conferência Ministerial, que será realizada em 2021.

“Devemos dar ao meu sucessor tempo suficiente para planejar o caminho não apenas para a próxima reunião ministerial, mas também como a Conferência se encaixará nos seus planos para o futuro da Organização ”, disse ele.

“Quanto mais cedo assumir a nova Direção Geral, melhor.

Trecho do discurso de
renúncia de Roberto Azevedo

Tenho um comunicado a ser feito. Em agosto, completarei 7 anos como Diretor Geral da OMC. E decidi que deixarei minha posição atual em 31 de agosto de 2020, cortando meu segundo mandato em exatamente um ano.

Muitos de vocês já viram as notícias sobre minha decisão. Não era minha intenção ouvi-lo da imprensa antes de ouvir de mim – mas, infelizmente, funcionou dessa maneira.

Esta é uma decisão que não tomo de ânimo leve. Entre a atual quarentena e minha recente cirurgia no joelho, tive mais tempo do que o habitual para refletir. E cheguei a essa decisão somente após longas discussões com minha família – minha esposa aqui em Genebra, minhas filhas e minha mãe em Brasília. É uma decisão pessoal – uma decisão familiar – e estou convencido de que esta decisão serve os melhores interesses desta Organização.

Cooperação

Eu também quero ser claro sobre o que não é: não está relacionado à saúde (graças a Deus). Também não estou buscando oportunidades políticas. Espero que o futuro contenha novos desafios, mas, no momento, não sei quais serão.

Independentemente de quão cumpridos esses últimos sete anos tenham sido para mim, agora devo terminar este ciclo. Quando os membros começarem a moldar a agenda da OMC para as novas realidades pós-COVID, deverão fazê-lo com um novo Diretor-Geral.

Não é fácil para mim dizer isso. O sistema de comércio multilateral está no centro da minha carreira desde que fui postado aqui em 1997. Desde essa época, trabalho no sistema, com o sistema e para o sistema. Uma grande parte da minha vida, 23 anos, foi dedicada ao sistema e fiquei grato por esta oportunidade. Meu mandato como Diretor Geral da OMC foi o período mais exigente, emocionante e gratificante da minha vida profissional. Eu aprendi muito. E acredito que pude contribuir para manter a OMC como um pilar fundamental da governança econômica global em tempos difíceis para a cooperação multilateral.

Rui Martins é correspondente do Correio do Brasil em Genebra

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