Brasileiros cruzam a zona de guerra para embarcar de volta ao país

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Publicado segunda-feira, 17 de julho de 2006 as 10:41, por: CdB

O avião no qual embarcaram, nesta segunda-feira, cerca de cem brasileiros do Líbano de volta ao país, aterrisou em Adana, na Turquia, na manhã desta segunda-feira. Segundo o ministro, o governo brasileiro disponibilizou a aeronave para a qual o grupo rumou desde Beirute, em ônibus fretados pela embaixada brasileira. A assistência aos brasileiros no Líbano está sendo feita por meio do Consulado-Geral e da Embaixada do Brasil em Beirute. Mais informações podem ser obtidas no Consulado-Geral em Beirute, pelos telefones 00 xx (961) 70-934921 ou 70-935718. Quatro cidadãos brasileiros da mesma família, incluindo duas crianças, morreram na quinta-feira na cidade de Srifa, vítimas de ações militares no Líbano. Israel lançou uma ofensiva contra o Líbano, após o grupo guerrilheiro libanês Hizbollah capturar dois soldados israelenses.

A exemplo do Brasil, vários países tiravam seus cidadãos do Líbano na segunda-feira, no sexto dia de ataques israelenses contra o território libanês. Enquanto os europeus se amontoavam do lado de fora de suas embaixadas, a União Européia (UE) pedia a Israel que garantisse a segurança de milhares de cidadãos do bloco ainda no Líbano. O ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Erkki Tuomioja, afirmou a repórteres:

– Entrei em contato várias vezes com o governo israelense e lhes pedi que garantissem a segurança dessas pessoas.

A Finlândia ocupa atualmente a presidência rotativa da UE.

Muitos dos que estão em retirada devem chegar ao porto de Larnaca, em Chipre (85 quilômetros a oeste do Líbano), de onde uma balsa fretada pela França, e com capacidade para levar 1.300 pessoas, partiria na segunda-feira. O Líbano, uma ex-colônia francesa, abriga 17 mil cidadãos da França e há até outros 5.000 franceses visitando-o atualmente. Centenas de pessoas com passaporte francês reuniram-se perto da Embaixada da França, em Beirute, na segunda-feira, à espera de um ônibus que os levaria até a balsa.

Fouad Jawad, um estudante de 17 anos, começou a chorar quando Israel bombardeava um bairro do sul da capital que serve de sede para o Hizbollah.

– Nossa família ainda está lá. Estamos com medo de que algo tenha acontecido com eles. Eles não estão atendendo ao telefone – afirmou Jawad, que esperava do lado de fora da embaixada.

Mohammed Koubaissi, um empresário de 40 anos, disse:

– Ninguém liga para a vida dos árabes. Ter nacionalidade européia é como ter um passaporte do inferno para o céu.