Brasileiros percebem o fracasso do governo Bolsonaro na economia

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Publicado segunda-feira, 28 de dezembro de 2020 as 14:08, por: CdB

A previsão de aumento dos índices inflacionários, por parte dos eleitores, atingiu em dezembro o maior patamar registrado no governo Jair Bolsonaro (sem partido) pelas pesquisas do Datafolha. Segundo o estudo, 72% dos entrevistados afirmam que a inflação vai aumentar.

Por Redação – de Brasília

O aumento generalizado de preços, principalmente das carnes e do arroz, nos supermercados tem levado a maioria dos brasileiros a perceber que a gestão econômica do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) é um fracasso. Negacionista quanto à gravidade da pandemia e dos efeitos negativos do cancelamento, já a partir de janeiro, do auxílio emergencial, Bolsonaro não escapa à constatação, em pesquisa do Instituto DataFolha, de que os tempos serão difíceis já nos primeiros dias do ano que vem.

Bolsonaro e Guedes
Bolsonaro e Guedes não têm conseguido superar as barreiras impostas pela pandemia e os preços continuam a subir, apesar do alto desemprego

A previsão de aumento dos índices inflacionários, por parte dos eleitores, atingiu em dezembro o maior patamar registrado no governo Jair Bolsonaro (sem partido) pelas pesquisas do Datafolha. Segundo o estudo, 72% dos entrevistados afirmam que a inflação vai aumentar. Em agosto deste ano, eram 67%. Naquele mês, a inflação em 12 meses medida pelo IPCA estava em 2,44%. Em novembro, chegou a 4,31%.

“Em dezembro do ano passado, pouco mais da metade dos entrevistados (52%) fazia essa avaliação, apesar da disparada nos preços naquele mês, principalmente, por causa do aumento no custo das carnes. Na pesquisa de abril do ano passado, eram 45% os que previam alta da inflação nos meses seguintes”, descreve a pesquisa.

Exportações

Ainda segundo o DataFolha, “a parcela dos que esperam ver uma queda da inflação recuou de 17% em dezembro do ano passado para 11% em agosto deste ano e para 10% na pesquisa mais recente. Os demais entrevistados dizem que a inflação ficará como está”. O Instituto ouviu 2.016 pessoas por telefone entre os dias 8 e 10 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Conforme os pesquisadores constataram, a percepção dos brasileiros está em linha com as projeções de mercado para os índices de preços durante o primeiro semestre de 2021. Também reflete um momento em que o custo de alimentos e insumos à produção está em alta, por causa de fatores como falta de produtos, aumento de exportações e repasse cambial.

Já a expectativa dos economistas consultados pelo Banco Central (BC) na pesquisa semanal Focus, divulgada nesta manhã, é que o IPCA, índice de preços ao consumidor que serve como meta de inflação, deva passar dos atuais 4,31% (registrados em novembro) em 12 meses para algo próximo de 6% até maio de 2021. Depois, espera-se um recuo ao longo do segundo semestre do próximo ano, para 3,34%.

Aumentos

De acordo com o BC a inflação chegará a 3,40% no final de 2021. O número está abaixo do centro da meta de 3,75%. Outro indicador de inflação, o IGP-M, composto por preços no atacado, ao consumidor e da construção, está em patamar bem mais alto: subiu quase 25% nos últimos 12 meses.

Os alimentos acumulam alta no Índice de Preços no Atacado (IPA), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de 25%, sendo que metade desse aumento já chegou ao índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV. O arroz, produto cuja alta provocou até reação por parte do governo, subiu quase 120% no atacado e 62% no varejo, o que mostra o risco de continuidade desses repasses.