Brasileiros reclamam de Trump, que os expulsou para o México

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Publicado sexta-feira, 31 de janeiro de 2020 as 14:21, por: CdB

Os EUA começaram a enviar de volta ao México na quarta-feira alguns imigrantes brasileiros que haviam cruzado a fronteira, onde devem aguardar suas audiências em tribunais norte-americanos.

Por Redação, com Reuters – da Cidade do México/Brasília

Perplexos, tristes e decepcionados, imigrantes brasileiros enviados dos Estados Unidos para o México nesta semana ficaram se perguntando como haviam acabado em um terceiro país.

Imigrantes brasileiros em abrigo no México
Imigrantes brasileiros em abrigo no México

Os EUA começaram a enviar de volta ao México na quarta-feira alguns imigrantes brasileiros que haviam cruzado a fronteira, onde devem aguardar suas audiências em tribunais norte-americanos sob um programa conhecido como Protocolo de Proteção do Imigrante (MPP, na sigla em inglês).

Esse é um dos muitos mecanismos do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, para reduzir o número de pessoas em busca de asilo na fronteira EUA-México. Desde o início do programa, há um ano, mais de 57 mil imigrantes não mexicanos foram deportados ao país.

– Eu não entendo por que fui enviada para cá – disse a brasileira Tânia Costa, acrescentando que não entendia espanhol e estava impossibilitada de se comunicar com autoridades do México. “Por que eles me deportaram para o México e não para o Brasil?”.

A Patrulha de Fronteira dos EUA

Ela afirmou que autoridades norte-americanas não lhe explicaram que seria enviada para o México. A Patrulha de Fronteira dos EUA não respondeu de imediato a um pedido por comentários.

Dez imigrantes brasileiros foram deportados ao México sob o MPP na quarta-feira, de acordo com Enrique Valenzuela, que chefia os serviços de proteção civil no Estado de Chihuahua. O programa anteriormente era restrito a falantes da língua espanhola.

Costa e sua filha de 6 anos estavam entre os brasileiros deportados. Elas haviam saído de Belo Horizonte há apenas uma semana, disse.

– Ouvi falar de pessoas que conseguiram, então tentei também – disse Costa. “Eu tinha uma audiência marcada, tudo estava marcado, mas eles não me deixaram ficar lá”.

Dificuldade de pagar uma dívida

Costa recebia ameaças de morte devido à dificuldade de pagar uma dívida, explicou, e por não ter emprego. “Eles disseram que, já que não queríamos voltar ao Brasil, porque éramos ameaçadas, então eles tinham que nos deportar para o México”.

A Patrulha de Fronteira norte-americana capturou cerca de 17,9 mil brasileiros na fronteira sudoeste do México no último ano fiscal, que começou em 1º de outubro de 2018. O número foi um aumento acentuado em relação às 1,5 mil detenções do ano anterior.

– Gostaria de voltar aos Estados Unidos – disse Costa. “Eles nos deram uma data no tribunal, mas em abril. E não temos como voltar ao Brasil”.

População de rua

O Censo da População em Situação de Rua identificou 24.344 pessoas vivendo nessa situação na cidade de São Paulo, em 2019. O número é 53% maior do contabilizado em 2015, quando foram encontradas 15.905 pessoas dormindo em calçadas ou abrigos públicos.

Entre as pessoas sem lugar para morar na capital paulista, 11,7 mil dormem em abrigos e 12,6 mil estão em calçadas ou sob viadutos. A grande maioria, 69,35, é negra, sendo 47,6% pardos e 21,7% pretos. Os indígenas somam 1,7% e os brancos, 28%. A grande maioria, 85%, são homens. Em relação à identidade de gênero, 386 se declararam transsexuais.

A região da Sé, no centro da cidade, registrou a maior concentração da população em situação de rua, com 45% do total. A Mooca, na zona leste, apareceu como a segunda região em número de pessoas sem casa, com 19% dessa população.

Crescimento

Segundo a Qualitest, empresa responsável pela realização do censo, o número de pessoas em situação de rua cresceu acima das estimativas, com base no ritmo de aumento dos últimos anos. Na velocidade que vinha aumentando, essa população deveria ser de 18 mil pessoas em 2019. No entanto, o resultado verificado nas ruas ultrapassou em 32% essa expectativa.

A maior causa apontada pelas pessoas para ficarem sem residência foram os conflitos familiares (50%). Outros fatores também apareceram com destaque nos questionários, como a perda do trabalho (23%), problemas com álcool e drogas (33%), a perda da moradia (13%) e a passagem pelo sistema penitenciário (3%).

Metodologia

O censo envolveu uma equipe de mais de 200 pessoas que percorreram as ruas da cidade durante nove dias para coleta das informações. Divididos em grupos, os pesquisadores percorriam os abrigos no fim de tarde e as calçadas durante a noite e madrugada. Todo o trabalho foi georreferenciado usando sistema de localização por satélite. As pessoas foram abordadas em 6,8mil pontos da cidade.

Serviços

Durante a apresentação dos resultados, o secretário de Governo, Mauro Ricardo, detalhou os programas que atendem a população de rua na cidade. São oferecidas 17,2 mil vagas em serviços de acolhimento e 3,3 mil em centros de convivência.

Segundo o secretário, estão previstas novas ações, como a criação de 2 mil vagas em repúblicas e a instalação de bebedouros e banheiros públicos em diversos pontos da capital. “Para evitar que as pessoas façam as suas necessidades em locais completamente inadequados”, enfatizou sobre a necessidade dos equipamentos.

Além disso, estão sendo abertas 1 mil vagas em frentes de trabalho com bolsa-auxílio entre R$ 698 e R$ 1.047 para trabalhos como jardinagem, cultivo de hortas e manutenção de praças.

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