Brasília: Um crime a cada 20 minutos

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Publicado segunda-feira, 24 de novembro de 2003 as 10:28, por: CdB

As estatísticas comprovam o que o brasiliense sente na pele. A cada vinte minutos um crime acontece no Plano Piloto. São 73,5 ocorrências registradas diariamente nas delegacias da Asa Norte e Asa Sul – um total de 13.305 só no primeiro semestre deste ano. Brasília supera cidades satélites como Taguatinga e Ceilândia, com 51,7 e 39,4 queixas diárias, respectivamente. Com esses dados da Secretaria de Segurança Pública, o Plano Piloto está no topo do ranking da insegurança.

A ação da bandidagem tem características específicas no Plano Piloto. A maioria dos crimes é contra o patrimônio – arrombamentos e furtos de carro representam 30% dos registros. A proporção de homicídios é de um para cada grupo de 20 mil habitantes. O seqüestro-relâmpago virou crime típico da área nobre do Distrito Federal. Neste ano, 50 pessoas se tornaram reféns de assaltantes armados no Plano.

”Riqueza atrai bandido”, afirma Wesley Maretti, chefe do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). ”Brasília é a área mais movimentada e seus habitantes têm o hábito de procurar a polícia para denunciar.” O clima de insegurança faz os moradores mudarem hábitos. À noite, poucos se arriscam a sair a pé. Mães e pais controlam os passeios de filhos adolescentes por telefone. O lazer em áreas públicas é substituído por alternativas em espaços vigiados por câmeras e seguranças, como nos shoppings centers.

O medo também altera as características originais da cidade. Para fugir da ação de bandidos, os moradores chegam ao extremo de controlar o acesso de áreas públicas – fecham becos e cercam prédios. Gradeiam janelas e, em alguns casos, até a entrada do apartamento é reforçada com portões.

As mudanças provocadas pela violência também modificam a paisagem da cidade. Dos quatro blocos de casas da 708, três estão isolados da rua por portões eletrônicos. ”Fechamos os becos na tentativa de ter mais segurança”, explica Alexandre, que sabe que o gradeamento fere o tombamento de Brasília.

Os blocos das quadras 400 da Asa Sul também perderam as características originais por causa da violência. Os JKs, prédios que não têm pilotis, ganharam grades na parte de trás porque as janelas deixavam os moradores expostos demais. As portarias originais foram substituídas por portões eletrônicos. Há moradores que, de tão assustados, colocaram grades dentro dos prédios.