Brigadistas são presos suspeitos de incêndio criminoso em Alter do Chão

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Publicado terça-feira, 26 de novembro de 2019 as 14:04, por: CdB

Os quatro suspeitos detidos integram a Brigada de Incêndio de Alter do Chão, organização não governamental (ONG) que atua no combate a queimadas na APA.

Por Redação, com ABr e RBA – de Brasília

Policiais civis do Pará detiveram nesta terça-feira, em caráter preventivo, quatro pessoas suspeitas de atear fogo em parte da vegetação da Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão, em setembro deste ano.

Polícia prende quatro integrantes de Brigada suspeitos de incêndio criminoso
Polícia prende quatro integrantes de Brigada suspeitos de incêndio criminoso

Com cerca de 16.180 hectares (um hectare corresponde às medidas, aproximadamente, de um campo de futebol oficial), a unidade de conservação de uso sustentável fica em Santarém (PA), em uma região de forte apelo turístico devido às belezas naturais.

Os quatro suspeitos detidos integram a Brigada de Incêndio de Alter do Chão, organização não governamental (ONG) que atua no combate a queimadas na APA.

Uma das hipóteses sob investigação é que os suspeitos causavam os incêndios para, depois, serem convocados para apagar as chamas e receber algo em troca.

A reportagem ligou para os telefones indicados no site do grupo, mas não foi atendida.

Em uma página nas redes sociais, a ONG afirma que trabalha voluntariamente para proteger a floresta e os moradores de Alter do Chão e região, atuando de forma independente.

Além dos quatro mandados judiciais de prisão preventiva, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados.

Conflitos

Comandada pela Delegacia Especializada em Conflitos Agrários de Santarém (Deca) e pelo Núcleo de Apoio à Investigação (NAI), a operação batizada de Fogo do Sairé é resultado de dois meses de investigação sobre as causas dos incêndios de grandes proporções que atingiram a região em setembro.

No dia 18 de setembro, a secretária de Meio Ambiente de Santarém, Vânia Portela, revelou à Agência Brasil que as autoridades suspeitavam de que os incêndios iniciados naquela semana eram criminosos e tinham o propósito de liberar pedaços de terra às margens do Rio Tapajós para a exploração turística. Pouco antes, o Ministério Público (MP) do Estado do Pará tinha informado que vestígios de fogueira e latas queimadas tinham sido encontrados na terra incendiada, evidenciando a provável ação intencional (dolosa) dos responsáveis.

De acordo com o Conselho Gestor da APA Alter do Chão, há anos a unidade sofre com as ameaças representadas pelo desmatamento e ocupação ilegal de margens de lagos e igarapés e de outras áreas de interesse de projetos agrícolas, bem como pelo crescimento da especulação imobiliária e urbano desordenado da região.

Famílias são despejadas com violência

Agentes da Polícia Federal e da Polícia Militar, acompanhados de milícias locais, usaram de violência ao despejar cerca de 600 famílias de trabalhadores rurais na segunda-feira, de áreas dos acampamentos Abril Vermelho, Iranir de Souza e Irmã Dorothy, em Casa Nova, no norte da Bahia.

De acordo com o coletivo de comunicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), portões foram arrombados pelos policiais, que dispararam bomba de gás, spray de pimenta e balas de borracha, trazendo muito medo e tensão entre as famílias. Três pessoas foram atingidas por balas de borracha. Uma jovem de 19 anos, sua filha de três anos e um idoso, com ferimentos na cabeça. Uma mulher foi agredida e também teve a cabeça machucada.

Casas e até a escola foram destruídas. A um mês de terminar o ano letivo, mais de 200 alunos ficaram apavorados com a violência e imploraram para que a escola construída por seus país não fosse derrubada. Mas não foram atendidos. Puderam apenas retirar seus pertences pessoais antes que o trator pusesse tudo a baixo.

Histórico

Em abril de 2007, antes de ser inaugurada a primeira etapa do Perímetro Irrigado Salitre, cerca de mil famílias do MST construíram o Acampamento Vale do Salitre, nas proximidades de uma das casas de bombas mantidas pela
Codevasf, exigindo infraestrutura para assentamentos e acampamentos, além do cumprimento do acordo de Assentar 800 famílias na área do projeto Salitre.

No ano seguinte, as famílias deixaram o local pacificamente, em cumprimento a um acordo com o governo federal, do Estado, Incra e Codevasf, que ofereceu uma área próxima à barragem de Sobradinho, na qual todas as 800 famílias seriam assentadas. No entanto, apenas 600 famílias foram assentadas.

Em abril de 2012, cerca de 400 famílias ocuparam a área da Agrovale, no Perímetro Irrigado Salitre, em Juazeiro. Apesar de improdutiva, porém já contava com estrutura para o fornecimento de água. Nesse mesmo período foram ocupadas mais duas áreas no perímetro irrigado Nilo Coelho, em Casa Nova, palco de violência nesta segunda-feira.

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